<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360</id><updated>2011-11-19T22:01:02.085Z</updated><category term='escritor açoriano'/><category term='Ano Novo'/><category term='Calheta de Nesquim'/><category term='Tomaz de Figueiredo'/><category term='acordar'/><category term='O Barão'/><category term='Uma Noite na Toca do Lobo'/><category term='2009'/><category term='José Marmelo e Silva'/><category term='China'/><category term='Adolescente Agrilhoado'/><category term='contos'/><category term='Trasfega'/><category term='Isabel Gouveia'/><category term='incêndios'/><category term='A Lã e a Neve'/><category term='José Régio'/><category term='Rio Turvo'/><category term='Lagoa Moura'/><category term='Em Busca do Tempo Perdido'/><category term='João Aguiar'/><category term='Fernanda Botelho'/><category term='Daniel de Sá'/><category term='A Velha Casa'/><category term='bigamia'/><category term='Diário de um Pároco de Aldeia'/><category term='sociedade do futuro'/><category term='política'/><category term='ilha das Flores'/><category term='Pearl S. Buck'/><category term='literatura'/><category term='Dostoiévski'/><category term='desalento'/><category term='Branquinho da Fonseca'/><category term='Rio das Flores'/><category term='Joshua Bell'/><category term='Aldous Huxley'/><category term='Admirável Mundo Novo'/><category term='Carlos Tomé'/><category term='glicínias'/><category term='Philip Roth'/><category term='Combray'/><category term='Symphony Hall de Boston'/><category term='Mário de Carvalho'/><category term='romance'/><category term='O Dr. Bruno'/><category term='Manuel Poppe'/><category term='A Catedral Verde'/><category term='Vindima'/><category term='Cristóvão de Aguiar'/><category term='literatura francesa'/><category term='sobrevivência'/><category term='Miguel Sousa Tavares'/><category term='esperança'/><category term='A Sala Magenta'/><category term='Ilha Grande Fechada'/><category term='Stradivarius de 1713'/><category term='Açores'/><category term='S. Miguel'/><category term='Dias Melo'/><category term='novo-rico'/><category term='Carlos de Oliveira'/><category term='Dia da Terra'/><category term='Literatura Portuguesa'/><category term='José Cardoso Pires'/><category term='Ponta Delgada'/><category term='Ano 2010'/><category term='crónicas'/><category term='Um Inverno em Marraquexe'/><category term='Festa em Casa de Flores'/><category term='25 de Abril'/><category term='Miguel Torga'/><category term='Pico da Pedra'/><category term='Uma Abelha na Chuva'/><category term='Páscoa'/><category term='literatura russa'/><category term='música clássica'/><category term='A Acácia Vermelha'/><category term='No Caminho de Swann'/><category term='A Porta Estreita'/><category term='lavagante'/><category term='A Mancha Humana'/><category term='romance histórico'/><category term='Georges Bernanos'/><category term='Marcel Proust'/><category term='poluição'/><category term='violino'/><category term='Cadernos do Subterrâneo'/><category term='Ferreira de Castro'/><title type='text'>AS JÓIAS DA MINHA COROA</title><subtitle type='html'>A literatura é a prova de que a vida não chega.

                                    (Valéry Larbaud)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5865327873974085477</id><published>2011-11-19T21:45:00.005Z</published><updated>2011-11-19T22:01:02.127Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Dr. Bruno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel Torga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vindima'/><title type='text'>O Dr. Bruno</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tJ_C-E9lMLQ/TsgkDl9Lq3I/AAAAAAAAClQ/YRoNCHlRzxE/s1600/Torga.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 261px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676826974447446898" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-tJ_C-E9lMLQ/TsgkDl9Lq3I/AAAAAAAAClQ/YRoNCHlRzxE/s400/Torga.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desta vez fora convidado o Dr. Bruno, grande especialista de olhos em Lisboa. E em jantares, piqueniques, passeios de automóvel e a cavalo, bailes e caçadas, duas semanas voavam…&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já na casa dos quarenta, tinha ainda um ar jovem, cuidadosamente cultivado. Era uma destas naturezas ricas e pobres ao mesmo tempo, movidas por altas ambições que nunca realizam. Almas que põem tanta avidez no que desejam, tanta inquietação no que procuram, que tudo lhes foge das mãos no momento crucial. Se pudesse ser contada por miúdos, a sua vida daria uma crónica dolorosa de frustrações. Contudo, nenhuma outra mais rica de tenacidade, inteligência e audácia. Num faro quase infalível, antevia a hora e o lugar dos sucessos. E apresentava-se, numa disponibilidade que o tornava credor do maior quinhão do bolo. E, quando o êxito parecia certo, conseguido, a sofreguidão do salto afugentava a presa.&lt;br /&gt;Desta vez viera também guiado por esse instinto adivinho. Tivera, casualmente, conhecimento da existência na família de uma figura complicada de mulher &lt;em&gt;[Catarina]&lt;/em&gt;, nova, solteira, bonita e poetisa. A princípio não tomara a sério o último predicado da moça.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas depois o Dr. Bruno leu o nome dela num jornal literário, ouviu rasgados e autorizados elogios à sua arte, e, então, a ironia transformou-se em curiosidade, e a curiosidade em desejo de possuir. Bonita e rica significava muito, mas não era o bastante para a sua angústia de perseguidor de miragens. Precisava de um elemento mais, esse com autenticidade de dom. E se realmente se tratava de uma pessoa excepcional, artista ainda por cima, por que não fazer um esforço?&lt;br /&gt;Infelizmente, a ave rara só chegava no dia seguinte, atrasada como sempre.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;Só quando o nome de Guiomar surgiu entre duas saraivadas de adjectivos – de um lado os homens a gabarem-lhe a elegância e a simpatia, do outro as mulheres a chamarem-lhe embirrenta e pretensiosa -, se mostrou interessado.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Atirava as perguntas com ar negligente, num tom despreocupado, como que por desfastio. A simples notícia de que tinha a dois passos de si uma rapariga de quem se falava com tal discrepância, além de lhe espicaçar os brios de conquistador, fizera nascer no seu espírito, impenitente empreendedor de aventuras, mas experimentada vítima de sucessivos fracassos, o desejo de a conhecer, de a ter de reserva contra Catarina, de preparar uma espécie de porta de traição. Escusava, contudo, de mostrar o jogo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…] &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Bruno, porém, necessitava de entrar naquela vida por alguma porta. Catarina começava a enervá-lo, a criar-lhe um estado de inibição que o irritava. Pela primeira vez encontrava uma natureza que se lhe opunha de antemão, só a existir, numa espécie de antítese humana. E tentava rasgar uma fenda na muralha.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Sou por temperamento e formação um homem objectivo… - Acredito pouco numa arte subjectiva.&lt;br /&gt;- Toda a arte o é…&lt;br /&gt;- Interessa-lhe, exactamente porque só entra em linha de conta com o seu egoísmo de criatura privilegiada, o que é lamentável.&lt;br /&gt;Não punha sombra de sinceridade no que dizia. Era uma construção de momento, para enredar a corça esquiva. Em circunstâncias diferentes poderia defender o contrário com a mesma desenvoltura. Tanto se lhe dava dos poemas de Catarina como da cabeleira do dono da casa. Queria, sim, a mulher rendida a seus pés. Quando valorizava nela a condição de criadora, vislumbrava apenas a própria vaidade enfeitada com mais algumas penas. A beleza pura não lhe tocava a alma.&lt;br /&gt;- Talvez tenha razão. Mas, que quer?&lt;br /&gt;- Que acorde, ora essa!&lt;br /&gt;O fio da meada, por mais que se esforçasse, fugia-lhe das mãos nervosas. Encontrava-se pela primeira vez diante de uma irredutibilidade. O adversário não argumentava, mal se defendia e, contudo, cada vez se lhe avantajava mais, como um fantasma que tirasse a força do próprio absurdo mágico do existir. As palavras que lhe dirigia pareciam bater de encontro a uma porta fingida. Por detrás, não havia ressonância.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;…tentou recuperar a calma perdida, o domínio de si. O caminho não era aquele, evidentemente, abrupto, áspero e raivoso. A razão estava farta de o saber. Mas descobrir o outro, o verdadeiro?&lt;br /&gt;Lá no íntimo, uma voz que não queria ouvir segredava-lhe desde a primeira hora que não conquistaria a rapariga.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E uma indignação impotente, paralela a um estranho sentimento de solidão irremediável, ameaçava submergir o hóspede. Não conseguia sintonizar-se com Catarina. Pelo contrário: cada vez a sentia mais distante.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[….]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O resto era Guiomar, que lhe aparecia no pensamento como uma possível tábua de salvação no jogo sentimental que iniciara. O coração nunca lhe pedira afectos verdadeiros. À sombra deles procurava apenas realizar não sabia ao certo que recôndita aspiração. Desde criança que lutava por esse impossível sem nome na sua própria consciência, e que se resumia numa imperiosa necessidade de afirmação e domínio. Se triunfasse algum dia, é possível que ficasse sem saber como utilizar a conquista. Enfadado e desiludido, acabaria por deixar cair, de qualquer modo, o troféu que com tanta veemência desejara. Mas falhara sistematicamente, e só não desanimava porque depois de cada fracasso, logo nova empresa o solicitava, criada pela sua ambição constante e versátil. E aí partia ele insofrido em busca dessa quimera, com toda a persistência passada. Fino observador, vira num relance, à chegada de Catarina, que ali o combate seria duro. Em vão procurava as pontas do invisível vincilho que junta as pessoas afins, que as faz solidárias mesmo quando o não querem ser. A linguagem de cada um dizia coisas opostas. Regiam-se por leis diversas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[O orgulho ferido]&lt;/em&gt; obrigara-o a permanecer ali atento à melodia que lhe arranhava a alma como um silício. Por mais que fizesse, não conseguia sintonizar-se com o espírito criador que arrebatava os outros. A música em vez de o libertar, humilhava-o.&lt;br /&gt;- É extraordinário, não é? – perguntou Raul a voltar o disco, sem admitir sequer a negativa.&lt;br /&gt;- Sim, de facto. Se bem que eu seja por mundos mais positivos, mais lógicos…&lt;br /&gt;- Não há nada mais lógico do que uma grande obra musical. Um largo de Haendel, por exemplo, é como um templo grego, de rigor e simetria…&lt;br /&gt;- Claro. Claro.&lt;br /&gt;Novamente a grafonola começou a rodar e novamente o maldito Bach encheu a sala da lógica que ele não entendia. Era uma tocata, executada a órgão, pungente e alada.&lt;br /&gt;- Eu, este Bach, francamente! É bom, sem dúvida. Mas confesso…&lt;br /&gt;Os íngremes degraus de uma escada erguida da humildade humana a um céu cristão de bem-aventurança, causavam-lhe tonturas. A transcendência nele, não subia, descia. Reduzia-se a um pragmatismo de utilidade pessoal, a sua, apenas mascarado muito ligeiramente, conforme as circunstâncias. Uma força que o arrastasse sem apelo e o conduzisse, cego, através de mundos onde nada tinha a fazer senão entregar-se, ditoso por já não ser mortal, ou sê-lo purificadamente, acicatava-lhe apenas o instinto de defesa. E fechava-se como um ouriço, hostil a cada nota sedutora. “Conversas com Deus consigo próprio antes da Criação”, chamara Goethe àquela música, isenta de sentimentos mesquinhos ou violentos. E nem mesmo por instantes ele podia renunciar às misérias da sua íntima natureza.&lt;br /&gt;- Não gosta?!&lt;br /&gt;- Gosto. Isto é…&lt;br /&gt;Ia a atacar o génio só com o desplante dos audaciosos, sem poder mais, quando felizmente as mãos de Catarina, piedosas ou enfadadas, fecharam o aparelho.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ao almoço, no dia seguinte, renovou a tentativa. Nada! Inábil e precipitado, só conseguira espantar a caça. Nem boa figura fizera. Reconhecia isso. De resto, até um cego via a triste realidade: Catarina fugira-lhe ainda mais. E como não podia viver num clima de derrota, a ideia de Guiomar surgiu-lhe definitivamente, nítida e vingadora, num aberto horizonte de triunfo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os amores do Dr. Bruno e de Guiomar começaram nessa noite. O médico não se comprometeu. Disse e fez apenas o bastante para encandear a rapariga, sem descer do tablado onde representava. Depois do entremez com Catarina – tão absurdamente falhado -, convinha-lhe não actuar ingenuamente, e apresentar a vítima já estrangulada à plateia boquiaberta. Por isso, a táctica consistia no realce de afinidades que ajudassem a papalva a saltar obstáculos embaraçosos, ou então num rosário de atenções que fizessem na sala o efeito de votos positivos numa eleição.&lt;br /&gt;Lisonjeada e rendida a uma superioridade que firmava os alicerces na palavra fluente e no atrevimento intelectual, a coitada, que atravessava uma crise de indecisão, de pousio emocional, escancarou a alma de mulher à magnética impostura do actor.&lt;br /&gt;…………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel Torga&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Vindima&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rfbujcRVnfM/Tsgj5BMobgI/AAAAAAAAClE/Fm42cezFteQ/s1600/Miguel%2BTorga%2B7A.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 159px; FLOAT: left; HEIGHT: 172px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676826792781442562" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-rfbujcRVnfM/Tsgj5BMobgI/AAAAAAAAClE/Fm42cezFteQ/s200/Miguel%2BTorga%2B7A.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5865327873974085477?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5865327873974085477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5865327873974085477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5865327873974085477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5865327873974085477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2011/11/o-dr-bruno.html' title='O Dr. Bruno'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-tJ_C-E9lMLQ/TsgkDl9Lq3I/AAAAAAAAClQ/YRoNCHlRzxE/s72-c/Torga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-4131179017061357159</id><published>2010-04-25T20:01:00.001+01:00</published><updated>2010-04-25T20:03:43.517+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desalento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='25 de Abril'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acordar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esperança'/><title type='text'>ACORDA, PORTUGAL!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/S9SR8obcMLI/AAAAAAAABMc/s_7uUruMROM/s1600/Cravo+acordado.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; 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MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421457740034371890" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SzzjFyeKcTI/AAAAAAAABL0/v3Wh6HaTY0c/s400/165.Flores.De+S.ta+Cruz+a+Ponta+Delgada.28Agosto2009.Postal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-4704857993794009837?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/4704857993794009837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=4704857993794009837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4704857993794009837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4704857993794009837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/12/2010.html' title='2010'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SzzjFyeKcTI/AAAAAAAABL0/v3Wh6HaTY0c/s72-c/165.Flores.De+S.ta+Cruz+a+Ponta+Delgada.28Agosto2009.Postal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-2858919298662988547</id><published>2009-11-01T21:01:00.005Z</published><updated>2009-11-01T21:14:53.249Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dostoiévski'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura russa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cadernos do Subterrâneo'/><title type='text'>FIÓDOR DOSTOIÉVSKI</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;1821-1881&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Su34VpCSquI/AAAAAAAABKk/rkfpkdbE_p8/s1600-h/Dostoi%C3%A9vski++4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 302px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399244578963499746" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Su34VpCSquI/AAAAAAAABKk/rkfpkdbE_p8/s400/Dostoi%C3%A9vski++4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estavam numa discussão séria, e mesmo apaixonada, sobre um jantar de despedida que queriam dar, já no dia seguinte, ao seu companheiro Zverkov que, por razões da sua carreira de oficial, era obrigado a partir para longe, na província. Também &lt;em&gt;Monsieur&lt;/em&gt; Zverkov tinha sido meu companheiro de escola. Eu dedicara-me a detestá-lo sobretudo nas últimas classes. Nas primeiras classes, ele era um ai-jesus de rapazinho, muito vivo e catita, que toda a gente adorava. Há que dizer que eu já o detestava nas classes da primária, exactamente porque ele era um rapazinho muito catita e muito vivo. Os estudos dele sempre foram medíocres, e quanto mais crescíamos mais isso piorava; mesmo assim conseguiu sair da escola bem classificado, porque tinha uma protecção. No correr do último ano de escola ele tinha recebido uma herança, duzentas almas&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt; , e como nós éramos pobres, quase todos, ele punha-se com fanfarronices, mesmo à nossa frente. Era um ordinário no mais alto grau, porém simpático, mesmo a fanfarronar. Entre nós, apesar das formas exteriores, fantásticas e oratórias que a honra e o amor-próprio assumiam, toda a gente, com raras excepções, chegava a lamber as botas a esse Zverkov, por mais que ele bazofiasse. Não era por interesse que lhe lambiam as botas, era assim, porque era um homem favorecido pelos dons da natureza. Além de que Zverkov era quase unanimemente visto, entre nós, como um especialista no domínio da graça e das boas maneiras. Este último ponto enraivecia-me particularmente. Eu odiava o tom da sua voz, abrupto, convencido, a adoração que tinha pelas suas próprias saídas que eram todas realmente estúpidas, apesar de não ter papas na língua; odiava a cara dele, bonita e parvinha (mas que eu trocava de boa vontade pela minha &lt;em&gt;inteligente&lt;/em&gt;) e todas as suas maneiras desenvoltas de oficial dos anos quarenta. Odiava o que ele contava dos seus futuros êxitos junto das mulheres (não ousava iniciar-se nelas antes de ter os seus galões de oficial – o que esperava com impaciência) e como, a cada instante, iria bater-se em duelo. Lembro-me de como eu, que ficava sempre calado, me peguei com ele quando o ouvi falar com os seus companheiros, nos intervalos das aulas, da “fruta” que iria comer e, aquecendo progressivamente, como um cachorro ao sol, acabou por se sair com essa de que não havia de lhe escapar nenhuma rapariga da sua aldeia, que esse era o seu &lt;em&gt;droit du seigneur&lt;/em&gt;, e que aos labregos que ousassem protestar havia de zurzi-los ele mesmo a chicote, do primeiro ao último, e que lhes faria pagar o tributo pelo dobro, a esses grandes pacóvios de barbas. As nossas pestezinhas aplaudiam-no, mas eu atirei-me a ele, não por pena das camponesas e dos pais, mas porque sim, porque eles aplaudiam esse miserável. Eu tinha dado conta dele, mas o Zverkov, por mais idiota que fosse, continuava sempre mordente e alegre, por isso tinha conseguido desenvencilhar-se da situação pela brincadeira, sem pensar nisso, de sorriso nos lábios. Eu, raivosamente, com desprezo, não lhe respondia. Pelo fim do curso, ele tentou aproximar-se de mim; eu não protestei, sentia-me lisonjeado; mas logo nos separámos, naturalmente. Depois ouvi falar dos seus êxitos de tenente da guarda – dizia-se que ele fazia vida de grande farra. Depois chegaram-me aos ouvidos outros zunzuns, sobre promoções na carreira dele. Na rua, Zverkov tinha deixado de me saudar, eu desconfiava que ele teria medo de se comprometer ao trocar cumprimentos com alguém tão desprezível como eu. Outra vez vi-o no teatro, nos terceiros camarotes, ostentando já os cordões. Pavoneava-se e meneava-se todo frente às filhas de um general muito velho. Em três anos tivera tempo de se desleixar, embora continuando sempre tão hábil e tão bonito como dantes; tinha, como direi?, ficado opado, tinha engordado; via-se que quando tivesse trinta anos não passaria de um saco de banha. Era, portanto, a este Zverkov de partida que os nossos companheiros se preparavam para honrar com um jantar. Nesses três anos eles tinham-se, por conseguinte, encontrado sempre com ele, apesar do facto de eles, intimamente, se sentirem seus inferiores – estou convencido disso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Fiódor Dostoiévski&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Por Motivo da Neve Húmida&lt;/em&gt;,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;in &lt;strong&gt;Cadernos do Subterrâneo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma “alma” é um servo da gleba, do sexo masculino, adstrito a uma aldeia ou a uma propriedade, juntamente com a sua família, e pertença de determinado senhor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Su34C-TZJcI/AAAAAAAABKc/T7q1zESVmYA/s1600-h/Cadernos+do+Subterr%C3%A2neo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 255px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399244258254857666" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Su34C-TZJcI/AAAAAAAABKc/T7q1zESVmYA/s400/Cadernos+do+Subterr%C3%A2neo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-2858919298662988547?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/2858919298662988547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=2858919298662988547' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2858919298662988547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2858919298662988547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/11/fiodor-dostoievski.html' title='FIÓDOR DOSTOIÉVSKI'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Su34VpCSquI/AAAAAAAABKk/rkfpkdbE_p8/s72-c/Dostoi%C3%A9vski++4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-2158791652617101190</id><published>2009-04-25T00:36:00.002+01:00</published><updated>2009-04-25T00:37:37.785+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='25 de Abril'/><title type='text'>25 de Abril</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SfJNKx0i4bI/AAAAAAAABEc/XQ9eVmqfSmc/s1600-h/Cravo+aberto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328406156700475826" style="DISPLAY: block; 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MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sd46j6JKxNI/AAAAAAAABD8/di_YPWLlF1Q/s400/Glic%C3%ADnia.Porto.29Mar%C3%A7o2009+1D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-7139858040658750752?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/7139858040658750752/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=7139858040658750752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7139858040658750752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7139858040658750752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/04/pascoa-2009.html' title='Páscoa 2009'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sd46j6JKxNI/AAAAAAAABD8/di_YPWLlF1Q/s72-c/Glic%C3%ADnia.Porto.29Mar%C3%A7o2009+1D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-676758147809229724</id><published>2009-04-05T23:04:00.004+01:00</published><updated>2009-04-06T11:59:05.388+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ferreira de Castro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Lã e a Neve'/><title type='text'>Conhecer FERREIRA DE CASTRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…]&lt;br /&gt;- Acaba lá com isso! Todos têm direito à vida… O Paredes foi despedido porque estava velho e cheio de achaques. Já dera o que tinha a dar. O mesmo aconteceu com o Armando, com o Telhadais, com o Vicente, com todos. Não é preciso empenhos de outros. Já viste algum patrão querer operários velhos? Antigamente, eram postos na rua sem mais aquelas… Agora, o Sindicato dá-lhes vinte escudos por semana. Sempre podem comer quatro dias por mês…&lt;br /&gt;Alguns riram. Horácio não desistira de esvaziar-se de suas razões, mas Pedro, apertando-lhe mais fortemente o braço, pedia-lhe:&lt;br /&gt;- Cale-se! Cale-se!&lt;br /&gt;Do outro lado, alguns operários afastavam-se, levando, com eles, a Tramagal. Então, o homem de cabelo branco, olhos profundos e dois únicos dentes na boca envelhecida, acercou-se de Horácio:&lt;br /&gt;- Não lhe leve a mal. Ele tem aquele feitio refilão, mas não é má pessoa. O melhor é não lhe ligar importância. Mas diga-me uma coisa: como é que diabo você, com essa idade, veio parar aqui?&lt;br /&gt;Os três voltaram a sentar-se. Horácio desabafou. Havia simpatizado com aquele homem desde a sua primeira intervenção – e contou-lhe tudo. O outro ouvia-o em silêncio, sem mesmo acabar de descascar a batata cozida que tinha entre as mãos. Quando Horácio terminou, ele sorriu:&lt;br /&gt;- Está tudo muito bem. É pouco mais ou menos como eu tinha imaginado. Ninguém se sujeitava a isto se não tivesse necessidade. O que me admira é que você, um homem feito, ainda acredite que… - Hesitou e o seu olhar envolveu também a Pedro: - Enfim, vocês são ainda novos e o Mundo há-de dar muitas voltas. Eu logo explico tudo ao Tramagal. E não o tome de ponta, que não vale a pena. Ficamos amigos, não é verdade? Eu chamo-me José Nogueira, mas ninguém me trata assim. Chame-me Marreta.&lt;br /&gt;[…]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sdkre1CEqoI/AAAAAAAABDc/VCtyEAVzSxQ/s1600-h/Ferreira+de+Castro+2.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321332243346795138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 288px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sdkre1CEqoI/AAAAAAAABDc/VCtyEAVzSxQ/s320/Ferreira+de+Castro+2.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Marreta habitava, sozinho, um casinhoto perto da ribeira que ladeava o povoado. Era viúvo e não possuía outra família além de um filho na América, do qual falava sempre com melancolia, queixando-se de que ele deixara de escrever e o esquecera.&lt;br /&gt;Vegetariano e esperantista, na defesa daquela forma de sustento e a pregar as vantagens de uma só língua para a Humanidade inteira, Marreta punha tanto fervor como se de credos religiosos se tratasse. Ele próprio cozinhava os seus vegetais e, vida sóbria, despendia a maior parte da féria em brochuras e correspondência com esperantistas estrangeiros, nas semanas em que um ou outro operário não lhe demandava a casa, a tartamudear um pedido de empréstimo. Conhecedores do seu feitio, raros lhe pagavam; e, se algum o fazia, era, quase sempre, para estar apto a pedir, noutra ocasião de aperto, uma quantia maior. Marreta estimava o dinheiro em relação apenas com o preço dos selos do correio. A sua grande volúpia seria poder escrever muitas cartas e receber muitas também dos esperantistas das outras terras. Como houvesse começado a corresponder-se com uns húngaros, tanto se apaixonara pela Hungria que acabara estudando vários aspectos da vida daquele país, mesmo os que não tinham afinidade alguma com o esperanto. E, durante mais de um ano, ao falar, citava a Hungria por tudo e por nada.&lt;br /&gt;Na Aldeia do Carvalho poucos adeptos arrebanhara para a língua internacional e para o vegetarianismo não conquistara um só. Debalde ele jurava que, assim, seria melhor a saúde, mais longa a vida e menor a escravidão do ser humana às necessidades de cada dia. As mulheres, sobretudo, contrariavam-lhe a propaganda. Mais realistas do que os homens, afirmavam, desdenhosas, que fartas de batatas estavam elas desde que haviam nascido e que pena tinham de não poder comer carne todos os dias. Um bife! Uma perna de carneiro assada! Quem lhos dera!&lt;br /&gt;Apesar dessas divergências, a quadrazita que Marreta habitava enchia-se de operários quase todas as noites. Fugindo ao ambiente de suas casas, ao ruído e movimento da filharada, os homens vinham para ali, naquele período do Inverno, jogar a bisca e cavaquear. A ausência de mulheres, de crianças e dos problemas domésticos dava-lhes uma efémera sensação de evasão. Além disso, se as doutrinas vegetarianas não os seduziam e se lhes produzia antecipada preguiça a ideia de estudar esperanto, eram fascinados por outras aspirações que Marreta juntava àquelas, numa catequese que ele exercia há muito tempo já. Muitas vezes Horácio ouvia-o referir-se a um mundo que viria, um dia, um mundo onde não existiriam nem pobres, nem ricos, nem grandes, nem pequenos – e onde todos teriam tudo quanto carecessem para viver sem apoquentações. Sempre a conversa ia para aquele ponto. Se se falava de alguém que fora despedido, de falta de luz nas casas e de lugares no Albergue, de pai que não tinha pão para os filhos, de pessoa que andava esfarrapada ou pedia esmola, sempre se falava desse dia em que tudo isso acabaria e os homens seriam mais felizes. Seriam todos como irmãos, uns não explorariam os outros e não haveria mais guerras.&lt;br /&gt;Horácio admirava-se de que, parecendo Marreta tão inteligente, acreditasse naquilo, quando ele, que sabia muito menos, não podia crer, pois ricos e pobres houvera-os sempre e se alguém fosse tirar aos ricos o que lhes pertencia, logo viriam a guarda republicana e a polícia e poriam tudo como dantes. E mais surpreendido ficava ao verificar que todos os outros, interrompendo o jogo, iam lançando as suas palavras na mesma direcção das de Marreta. Até o Ricardo, sempre tão calado, tão metido consigo, estava, via-se logo, de acordo com aquilo. Alguns dos operários traziam jornais e liam coisas passadas em terras estrangeiras, notícias da guerra, que os outros escutavam em silêncio, enquanto o fulgor do lume lhes enrubescia as caras atentas. Depois, um e outro afirmavam que o dia podia chegar mais depressa do que muitos esperavam.&lt;br /&gt;Durante semanas, Horácio olhava para os frequentadores da casa do Marreta como se eles tivessem um segredo que o seu entendimento não conseguia descobrir completamente. Tudo quanto lhes ouvia o desnorteava. Podia lá ser á ser que as coisas viessem a ser como eles diziam? Mas, então, por que eles acreditavam naquilo, falando, às vezes, por meias palavras, como de um amor que estivesse no fundo dos seus corações e do qual não quisessem dizer tudo?&lt;br /&gt;Algumas noites, no meio das conversas, Marreta referia-se a cartas que recebera de esperantistas de outros países e sempre dava a entender que eles esperavam também aquele dia de que todos, ali, falavam. Eram pessoas de cidades que Horácio raramente ouvira nomear – Charleroi, Praga, Atenas, Buenos Aires – e, porque se tratava de terras longínquas, tudo aquilo lhe parecia fabuloso, sem ligação concreta com a vida que eles viviam ali, na aldeia de rústicos casebres, de gentes pobres e de cabras e ovelhas. Cada noite, porém, ficava mais perplexo entre o que escutava e o que pensava. Quando era pastor, ouvira, algumas vezes, falar de greves, mas sempre aquelas notícias chegavam, a ele e aos outros que viviam entre os rebanhos da serra, como se fossem movimentos de homens que queriam apenas ganhar maior féria.&lt;br /&gt;Marreta tinha muitos livros, quase todos sem capa, descosidos e ensebados, pois emprestava-os frequentemente. Às vezes, aparecia com um novo volume e, durante semanas, cada um dos operários ia-o levando para sua casa, até todos o lerem. Pelos comentários escutados, Horácio acabou compreendendo que muitas daquelas obras eram proibidas. E, então, sentira desejo de as ler também. […]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SdkrSWbWyPI/AAAAAAAABDU/xyiJAC4p5Ns/s1600-h/A+L%C3%A3+e+a+Neve.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321332028972910834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 245px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SdkrSWbWyPI/AAAAAAAABDU/xyiJAC4p5Ns/s400/A+L%C3%A3+e+a+Neve.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Horácio encostara-se a um dos prédios da rua e, enquanto esperava que Pedro se afastasse, viu Manuel da Bouça arrastar-se calçada acima, por entre a multidão que vinha do cemitério. Também aquela imagem do velho céptico o molestou. E, então, pôs-se a olhar para os outros homens, vestidos de negro, que passavam na sua frente, caras que lhe eram familiares, operários da Aldeia do Carvalho e da Covilhã, que ele conhecia da hora de saída das fábricas, dos diálogos no Pelourinho, das próprias ruas onde habitavam. À medida que iam passando, ele evocava as ideias, as embrionárias ansiedades que tinha ouvido a cada um deles, desde que deixara o cajado de pastor e viera trabalhar para as fábricas. E cada vez se apagavam mais, nos seus olhos, as imagens de Pedro e de Manuel da Bouça e cada vez ele se sentia mais confortado, mais confortado cada vez, por verificar que quase todos os que passavam na sua frente pensavam como Marreta e como ele próprio pensava agora.&lt;br /&gt;Viu Tramagal, Ricardo e João Ribeiro a descerem a calçada – e juntou-se a eles. Ricardo disse-lhe:&lt;br /&gt;- No sábado à noite, vamos fazer uma reunião, aqui, na Covilhã, em casa do Ildefonso. Precisamos de continuar… Compreendes? Precisamos de continuar… Não faltes!&lt;br /&gt;- Lá irei – respondeu. E voltou a sentir-se menos abandonado do que quando vira, momentos antes, enterrar Marreta e muito menos do que quando, há anos, entrara para a fábrica. Parecia-lhe que uma secreta força, que ele desconhecia quando viera para ali, partia dos outros para ele e dele para os outros – ligando-os a todos e dando-lhes, com novas energias, uma nova esperança.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Ferreira de Castro&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Lã e a Neve&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-676758147809229724?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/676758147809229724/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=676758147809229724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/676758147809229724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/676758147809229724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/04/conhecer-ferreira-de-castro.html' title='Conhecer FERREIRA DE CASTRO'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sdkre1CEqoI/AAAAAAAABDc/VCtyEAVzSxQ/s72-c/Ferreira+de+Castro+2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-2577929910257743126</id><published>2009-03-20T16:17:00.004Z</published><updated>2009-03-20T16:26:23.601Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Adolescente Agrilhoado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Marmelo e Silva'/><title type='text'>Conhecer MARMELO E SILVA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ScPCV6bOPAI/AAAAAAAABCs/5DxDIThBV90/s1600-h/Jos%C3%A9+Marmelo+e+Silva+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315305666943794178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 170px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ScPCV6bOPAI/AAAAAAAABCs/5DxDIThBV90/s400/Jos%C3%A9+Marmelo+e+Silva+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…] Bem certo é a ninguém poder atribuir-se integralmente a culpa dos males que lhe acontecem. Dizem que há forças poderosas coordenadoras. Que há automatismos, impulsos anónimos, reflexos. Que o homem é um pobre ser obediente e comandado. Nas malhas de mandarins perversos, sem poder clamar por socorro… Isto, porém, vexa profundamente sobretudo quem decreta as leis, e não traz senão complicações. Com efeito: a cidade, vista do alto, não passa já dum pobre formigueiro em alvoroço. Se em vez de falarmos dos homens, invocássemos as forças que nos comandam, o formigueiro humano naturalmente perderia a “livre vontade” e a “autonomia” – que tanto preza – e ficaria seriamente diminuído. Melhor é portanto ignorar todo esse mundo de comandos invisíveis e sorrirmos parvamente (não é verdade?) quando nos falam deles. Claro: que importa que a Fome leve à revolta? Chamaremos a contas os rebeldes e não a Fome. Não é isto realmente muito mais simples? Considere-se além disso o Tempo como o melhor dos estadistas. Que dificuldades não resolve o Tempo – greves, prisões, sepulturas! De que vitórias não poderia ao fim jactar-se?!&lt;br /&gt;E que é a Vida senão o disfarce do que deveria ser? O Vício não raro despoja a Virtude dos seus aspectos mais sagrados e a si próprio com estes se ornamenta.&lt;br /&gt;Assalta a poder o ambicioso, não o sensato. A escola e o templo não são domínio único do sábio, nem do probo. Quem não viu já fanáticos arvorarem em exclusivo seu o imenso Deus?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;José Marmelo e Silva&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Adolescente Agrilhoado&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ScPCCbc0THI/AAAAAAAABCk/FIWWOlHrc0U/s1600-h/Adolescente+Agrilhoado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315305332211469426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ScPCCbc0THI/AAAAAAAABCk/FIWWOlHrc0U/s400/Adolescente+Agrilhoado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;José&lt;/strong&gt; Antunes &lt;strong&gt;Marmelo e Silva&lt;/strong&gt; nasceu a 7 de Maio de 1911 em Paul, Concelho da Covilhã. Estudou no Seminário do Fundão, donde "sai" com 17 anos, por incompatibilidades de Ser e de Pensar com o sistema e a instituição. Frequentou a Universidade de Coimbra mas, devido à publicação de Sedução, teve de concluir a licenciatura (em Filologia Clássica) na Faculdade de Letras de Lisboa onde apresentou uma tese sobre Virgílio – Um sonho de paz bimilenário: a poesia de Virgílio. Colaborou no semanário lisboeta O Diabo, com o pseudónimo Eduardo Moreno, e na revista presença, de Coimbra, cidade em que conviveu com o grupo neo-realista. Prestou serviço militar em Mafra e na Madeira. Fixou residência em Espinho (onde leccionou na Escola Secundária) até à data da sua morte. Foi agraciado, em 1987, com a medalha de ouro da cidade de Espinho. Com o grau de Comendador da Ordem de Mérito, foi condecorado pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares, em 1988.&lt;br /&gt;Parte a 11 de Novembro de 1991. Foi o fim de uma vida que passou por uma adolescência dedicada ao "seminário"; uma juventude consagrada à "licenciatura, ao grego e aos clássicos"; um adulto dedicado ao "amor, amor, amor…" – como ele próprio anotou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-2577929910257743126?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/2577929910257743126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=2577929910257743126' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2577929910257743126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2577929910257743126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/03/conhecer-marmelo-e-silva.html' title='Conhecer MARMELO E SILVA'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ScPCV6bOPAI/AAAAAAAABCs/5DxDIThBV90/s72-c/Jos%C3%A9+Marmelo+e+Silva+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-4549410352979128482</id><published>2009-03-01T23:56:00.004Z</published><updated>2009-03-02T00:08:46.929Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Daniel de Sá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Açores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='S. Miguel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha Grande Fechada'/><title type='text'>Conhecer DANIEL DE SÁ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não foi preciso chamar Diana, que, ao vê-lo pegar no sacho, lhe correu à volta a sacudir o rabo. Irene perguntou: “aonde vais?”… e ele: “vou despedir-me da terra.” O sacho para isso?... Que sim, não bastava ficar olhando, queria senti-la como quem abraça uma pessoa quando lhe diz adeus.&lt;br /&gt;A cadela ia na frente. Encontros breves pelo caminho, alguns os últimos sabia Deus por quantos anos, talvez os derradeiros na vida.&lt;br /&gt;“Sempre vais amanhã?”&lt;br /&gt;“Isso é que é, até que enfim está chegando o dia, João…”&lt;br /&gt;“Lá, tens tudo quanto precisas, aquilo é que são terras fartas. Se eu fosse novo…”&lt;br /&gt;“Logo que possa, também me vou embora. Aqui não dá nada.”&lt;br /&gt;E ele triste, como se levasse a morte sobre os ombros. Começava a perceber o que lhe disse um dia o furriel enfermeiro – que tinha o costume de acamaradar com os pretos e só tocava as pretas nas suas partes doentes -, ao vê-lo uma noite chorar agarrado a meia garrafa de whisky: “Saudades da família? Hás-de habituar-te. Quando isto tiver passado, verás que não é assim tanto tempo.” Não eram só da família, as saudades. Das suas coisas também, dos bichos, do mar… Tinham-lhe metido na cabeça aquela de que o mar dá saudades, que um homem das ilhas não pode viver sem ele. Era capaz de passar dias e meses sem o olhar com atenção, anos sem comer lapas ou polvo guisado. Mas chegara a sentir falta de tudo isso como se não desejasse mais nada na vida. “Não é só da família, meu furriel. É da ilha também.” Se a sua terra fosse um deserto, seria o mesmo. Havia quem se sentisse por coisas bem diferentes tanto como ele se sentia pelas suas. O furriel sorrira, num jeito de resignação trocista. “Da ilha, João?... A ilha é um bom lugar de saudade. Nem mais nem menos. Vai deitar-te, que amanhã estás melhor.”&lt;br /&gt;A ilha, um bom lugar de saudade?... Mais nada?... E já se sentia longe, tudo era como se não lhe pertencesse, era como se, mal desaparecidas aquelas caras, não as visse havia tempos sem fim, como se, dado um passo, o caminho para trás não fosse seu desde as carreiras da infância.Conseguira finalmente o passaporte, o visto e a passagem que o libertavam da ilha, mas que maldição há sobre ela que, mesmo quando se tem tudo o que se quer, ela nos deixa infelizes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Foto: Margarida Madruga&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sashpwf3zVI/AAAAAAAABCE/1Iz8Av198jc/s1600-h/Daniel+de+S%C3%A1+9.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308373587063197010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sashpwf3zVI/AAAAAAAABCE/1Iz8Av198jc/s400/Daniel+de+S%C3%A1+9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Parou na taberna do costume. Queria um copo sem fundo para a sua pena sem fim, num dia que sempre imaginara o seu dia de estar feliz. Apetecia-lhe beber até que o pensamento não soubesse de nada, até que os sentidos esmorecessem na última noção do entendimento. Um copo de vinho: como o fel e o vinagre para abrandar as dores dos condenados às grandes mortes.&lt;br /&gt;Bebeu com dois amigos que discutiam o preço de onze vacas e cinquenta e seis alqueires de pasto, e lhe invejaram a sorte. Tinham grandes carteiras cheias de notas de mil, mas nada se compara à abundância dos dólares. Suspenderam o negócio – ficaria para depois continuar aquela sessão de exageros -, estava ali o João para dizer-lhes adeus. E um grande adeus, como uma grande chegada, fica melhor com vinho para aquecer as palavras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Pareces triste, João...                                                                                          &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não sei o que tenho… Um homem sabe lá para onde vai…&lt;br /&gt;- Para pior do que isto não pode ser. Aqui o Mário dava-te as vacas e o pasto que me quer vender pelo teu passaporte. Não davas, Mário?&lt;br /&gt;- E ainda tornava dinheiro, rapaz.&lt;br /&gt;O entusiasmo deles não lhe buliu com a alma. Eram três companheiros, tiveram de ser três as rodadas. Deu-lhe um torpor quase bom no corpo, mas o resto ficou igual. Antes se mudasse o resto, onde lhe estava a tristeza.&lt;br /&gt;Saiu depois de uns abraços apertados, os dos outros dois pegaram-se-lhe ao corpo, pararam-lhe na cintura, hálitos cheirando a vinho, respingos de saliva de quem já tinha lastro abundante lá dentro onde tombaram os três copos da despedida.&lt;br /&gt;Meteu-se à canada, que conhecia desde os tempos dos ninhos e das laranjas, das brigas sem o motivo e das tapadas sangrentas, de outros gostos proibidos e alguns trabalhos penosos. Por ali andaram com ele o Carlos, que foi padre e depois casou, o Pedro, que estudou para professor, um José que emigrou e outro José que era dono de trinta vacas de leite e um tractor, o Luís, o Mariano, o Manuel, todos emigrados também, o Alberto seu companheiro de carteira na quarta classe, que talvez estivesse à espera dele, no aeroporto de Toronto, dali a dois dias.&lt;br /&gt;As voltas que o Mundo dá… Não havia cigana que fosse capaz de atinar com a confusão de tantos destinos diferentes. E eram todos tão iguais: é verdade que o Carlos sempre foi de saber reis e batalhas como ninguém e o Pedro fazia problemas como se já fosse professor, mas, dali do canto para cima, por essa canada a dentro ou empoleirados nas árvores a roubar laranjas verdes, era tudo a mesma louça. Nesse tempo, doía-lhe a alma só de pensar na América e no Canadá. A América tem cheiro diferente, vinha nas caixas de roupa, tão grandes que era preciso desmanchá-las na rua para caberem em casa. Parece que aquela gente apostava em que as caixas que uns mandavam fossem maiores que as dos outros, uns coitados que saíram daqui quase sem jeito para nada e nem o bem faziam bem feito. Mas, se não fosse isso, um homem tinha andado em couro, que o ganho do dia não dava para meia missa. E brigas que havia ao dividir a roupa, se as melhores peças não vinham com o nome de cada um marcado… Bocas de fome… Ir ao armário e nem miolo de pão! A fome chegava sempre antes da hora, a mesa nunca estava posta quando a vontade apertava, uma doençazinha que não fosse de consumir muito era um regalo, dava direito a outro sustento, o ovinho estrelado, o leite com cacau, o queijo de peso, o chazinho com açúcar, ou um caldo de galinha para fraquezas mais teimosas que era coisa mesmo descida do Céu. Nem um lorde…&lt;br /&gt;Haveria muitas terras no Mundo onde as pessoas gostassem de estar doentes?&lt;br /&gt;E agora? É cada pedaço de pão com manteiga deitado fora pelos rapazes, que nem os cães querem saber. E manteiga, isso era dia de festa quando havia alguma! A fartura faz mal, o fastio é uma coisa moderna, nunca vi disso no meu tempo. Não sei como não morreu metade. Se tivessem morrido todos os que passaram fome, não era preciso emigrar…&lt;br /&gt;Um homem é uma desgraça… Isto é lá terra que dê saudades a alguém. Mas dá, eu sei que dá. Não dá mais nada, mas dá saudades. Quando eu me apanhar com uns dólares, volto para trás, arranjo uma casa, compro vacas, e acabou-se. O pior é o futuro dos meus filhos. Eles, quando vão pequeninos para aquelas terras, nunca mais querem saber disto para nada. E um homem lá não tem mão neles, se dá uma bofetada num vem logo a polícia, e ainda estamos sujeitos a malhar com os ossos na cadeia. Só o diabo é que pode sofrer uma coisa destas, mas dizem que é assim mesmo, que é que se pode fazer? Não vou mudar as leis daqueles excomungados, que não passaram fome, não sabem o que custa a vida. É que a fome ensina muita coisa. Havia respeito no meu tempo de rapaz. O pobre respeitava o rico, porque o rico era quem lhe dava trabalho. Os pobres respeitavam-se uns aos outros, porque precisavam de toda a gente. Agora andam de barriga cheia, e a fartura é má conselheira. É isto, naquele tempo não eram melhores do que são hoje, tinham era mais necessidade.&lt;br /&gt;Fome negra, morriam da primeira doença que não fosse a gripe de Abril ou Novembro, porque mesmo que alguém quisesse acudir não tinha com quê, só o Doutor Simas, de Vila Franca, era um santo, que até dava remédios e tudo, mas os ricos e o governo não se importavam com a gente, era tudo pior que os cães. A terra está do mesmo tamanho, mas já se vive melhor, não tem comparação. O dinheiro ia todo para eles, grandes ladrões, que metiam uma pessoa na cadeia por dá cá aquela palha, bastava o regedor dizer que um homem era comunista, mesmo que nunca tivesse ouvido falar nisso, mas era a fama que pregavam em qualquer um a quem quisessem fazer mal, como ao Júlio, que atravessou a rua enfeitada para a procissão, e ao Roberto e ao João Ferreira, que fizeram um barco de canas no Carnaval como se fosse o “Santa Maria” e, um deles, o Henrique Galvão.&lt;br /&gt;É verdade que, se não fosse a emigração, comiam-se uns aos outros que isto era gente que já não cabia aqui. Mas se uma mulher não fizer contas à vida e se um homem deixar metade na taberna, a fome ainda é mais negra. Só para os mais gastadores, bem se sabe, que os outros lá vão vivendo com chicharros, que antes nem sequer havia pão, juro pela felicidade dos meus filhos, que Deus não os castigue com metade do que eu passei.&lt;br /&gt;No Canadá é tudo fartura, do mau e do bom, mas são outros costumes, sei lá como vai ser comigo. Mas talvez acabe por acostumar-me, não sou melhor que os outros. O José Pereira levou alguns dois anos a chorar, e depois criou o gosto por aquela terra que nunca mais se importou com a nossa. Quis vir morrer aqui, quando os médicos o desenganaram, como se o céu fosse mais perto da gente. E é capaz de ser, que se um homem leva esta vida com paciência não há demónio que lhe pegue na alma.&lt;br /&gt;Não deixo para trás nada que me faça falta, a não seres tu, Diana. Vais andar por aí ganindo, esfomeada e tonta, pois tens esse mau feitio de não comer a jeito quando não estou. E eu vou ficar por lá apalermado, com saudades duma cadela, louvado seja Deus! Hei-de escrever cartas a perguntar por ti, minha mãe lê-as para ouvires como se fosses gente, tu tens mais tino do que muitos que andam em cima de dois pés. Se calhar o meu cheiro chega ainda na carta, hás-de farejá-la e ficar doida, à minha procura, minha mãe diz: “Olha, Diana, é do teu dono, é do João”, e tu corres a casa toda, esqueces essa tristeza de rabo murcho e começas a sacudi-lo, vais à porta da rua, talvez ladres a chamar por mim, e voltas para dentro com uns olhos cheios de lágrimas que não se vêem mas que custam tanto como as outras ou mais ainda. Ou sentas-te à porta da minha casa fechada, cismando, a olhar para cima e para baixo, a ganir e a rapar na madeira, vens aqui à terra, entras na taberna a perguntar por mim só porque entras, vais ao pasto, vês as vacas todas mas não me vês a mim, é o Manuel da Emília que há-de estar lá, ficas sem perceber nada, ainda acabas por te finar de tristeza como a cadela do José Sousa, quando o dono morreu.&lt;br /&gt;O resto, Diana, são saudades de fome, de suor, de trabalhar como um negro desde os seis anos, e, vamos lá com Deus, de algum copo de vinho com uns amigos, que só tornam a pensar em mim quando eu vier de visita ou lhes mandar um postal de Boas-Festas com um dolarzinho, para beberem pela minha saúde.&lt;br /&gt;Mas, então, por que raio estou tão triste, com uma tristeza que, se eu soubesse que isto era assim, nunca me tinha posto a passar papéis para emigrar e ainda por cima meu cunhado pensa que lhe fico devendo as gadelhas só porque me fez a carta de chamada? Não é pela nica de terra, um raio a parta. Deus me perdoe, que umas vezes dava muito, para vender a preço de nada, e, outras, mal lhe arrancava umas batatas e uns feijões para as sopas de meio ano. Nem é pelas vacas, que nem sequer são minhas, e me tiraram anos de vida, sempre a correr, quando estavam mais perto vinha como um doido, entre o leite da manhã e o da tarde, atirar uma sachadela à terra, a ver se adiantava serviço, ou ficava lá até não ver nada, era pelo tino, e no fim, sempre pobre, que Deus já não dá vinha e gado a quem tem paciência como Job, mas manda a verdade dizer que eu excomunguei mais vezes o trabalho do que dei graças a Deus pela saúde e pela força que nunca me faltaram. Ah! mas assim não me faltem no Canadá, e estou aqui estou rico, porque os remediados de lá são mais ricos do que os ricos da nossa ilha.&lt;br /&gt;Se eu pudesse levar-te, Diana, não me ficava pena nenhuma do que deixo atrás. Só minha mãe e meu pai, coitados, já se vão pondo velhos, mas esses, mais dias menos dias, de certeza que estão lá caídos. Têm aquele feitio de não querer incomodar os filhos, dizem que vão viver a favor e aqui ainda se terminam, mas não aguentam, vais ver que não aguentam aquela casa vazia, sem a alegria de ninguém, só eles a olhar um para o outro como duas árvores sem ninhos. E um homem quando casa, mete logo na cabeça que os pais já não têm nada com ele, e depressa se esquecem as sopinhas da mamã, que até se for preciso ir para o fim do Mundo vai-se mesmo sem pensar no desgosto deles. A vida é assim, não se pode mudar a vida, ela é que manda na gente.&lt;br /&gt;Olha, Diana, se te passasse um camião por cima, estava tudo resolvido. Desculpa que eu pense nisto, mas é verdade, ia-me custar ver-te morta, mas enterrava-te, ficava acabado, havia de me acostumar à tua falta, porque não se espera nada de quem vai para o outro mundo. Um homem habitua-se sempre ao que não tem remédio. Mas, assim, eu tão longe e a saber-te morrer aos poucos, de desgosto, e não poder valer-te… Ah! maldita terra, Diana! Sair da ilha é a pior maneira de ficar nela!&lt;br /&gt;E, depois, aquilo lá é tudo tão diferente… Uma língua que para mim é chinês, casas maiores do que o Pico da Vigia, lojas onde dizem que cabe a nossa freguesia inteira, ruas com mais povo do que a cidade pela festa do Santo Cristo, carros que nunca param de passar, um homem não pode andar descansado, ou a conversar num canto, não se vai para lado nenhum, é penar para ver os amigos, que às vezes estão mais longe do que daqui para lá, não há horas certas de trabalho, o marido e a mulher passam a vida sem se ver a jeito, os filhos aos terramotos para a escola, comem à pressa, nem sequer há domingos com vagar para ir à missa ou jogar uma sueca. Um inferno, um inferno cheio de dólares, é o que aquilo é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SashgemfkcI/AAAAAAAABB8/wCvSEIu6e24/s1600-h/Ilha+Grande+Fechada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308373427640308162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SashgemfkcI/AAAAAAAABB8/wCvSEIu6e24/s400/Ilha+Grande+Fechada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olha-me esta terra! Nunca deu tanto como vai dar este ano, juro. Que linda batata! Quatrocentas arrobas seguras, e o Manuel da Emília ficou-me com ela por duzentas e cinquenta. Mas chega às quatrocentas ou anda lá perto, isso não falha. Ele tira-a daqui a três semanas, foi um belo negócio, mas não faz mal, Nosso Senhor lhe dê sorte de vender tudo por bom preço. E o milho!... Um louvar adeus. Olha-me aquele feijão, vai ter que se lhe diga, nunca tive disto, palavra de honra que nunca tive. Parece que a terra quis despedir-se de mim fazendo-me negaças, uma fartura destas e não vou comer uma batata escoada que seja, não provo um molhinho de feijão nem uma maçaroca de milho cozido…&lt;br /&gt;Espera, deixa-me tocar na terra, é a última vez que a vejo minha, se eu voltar, tenho de pedir licença para pôr os pés aqui dentro, apetecia-me pegar nela ao colo, é uma tolice, olha que não é do vinho, estou sério, muito mais sério do que gostava de estar, maldita a hora em que resolvi dar este passo, mau fogo abrase a tantos trabalhos em que um homem se mete só para ter que comer e que vestir. E nunca vi ninguém ser feliz por causa do dinheiro. O que importa é a saúde e a graça de Deus.&lt;br /&gt;Estás para aí pasmada por me ver sachar batata deste tamanho, não é?... Quero é matar já as saudades que vou sentir.&lt;br /&gt;Anda aqui, Diana, chega ao pé de mim, cadela dum raio que és a minha perdição. Dá cá um beijo ao teu dono, dá cá, que, se calhar, nunca mais te vejo. Ah! bicho dum corisco, e eu que não te queria porque eras fêmea, mas ninguém pegou em ti, e não fui capaz de te matar. Ainda abri uma covinha para te meter lá dentro, mas o sacho nunca me pegou tanto como nesse dia. Sabes? sinto remorsos de ter querido matar-te, só tu nunca me enganaste, se Nosso Senhor fez um Céu para os cães, vais direitinha lá parar, minha santa.&lt;br /&gt;Olha, se meu pai for para o Canadá, deixa-te com alguém, mas tu nunca mais prestas para nada. E eu, quando voltar, se ainda te apanhar viva, já nem sequer és minha. Mas tu morres antes, de certeza que morres. Um raio parta a minha cabeça, para que me fui meter nesta aventura do inferno, eu que não tinha outra ideia senão embarcar e, agora, estou para aqui feito tolo, por causa de ti, se não fosses tu, era outra coisa qualquer, um homem nunca está satisfeito, é um bicho triste, que até nasce chorando. Não vês, Diana, a gente aprende a rir mas ninguém nos ensina a chorar, e meu pai, algum dia, ainda é capaz de te pôr a ladrar ao telefone, para eu te sentir no Canadá, e ele se calhar a tocar contrabaixo ao mesmo tempo, que já uma vez tocou também para meu cunhado ouvir e matar saudades.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*   *   *&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;João simulou todos os gestos com que ajudara a terra a prometer fartura. Depois sentou-se no chão e chamou a cadela para junto de si. Diana lambeu-lhe as mãos e a cara, ganiu alegremente, e deitou-se ao lado dele com a cabeça apoiada na sua perna direita, olhando-o com piscadelas que pareciam sorrisos. João levantou-se, desviando-lhe a cabeça docemente, e pediu:&lt;br /&gt;- Beija-me, Diana.&lt;br /&gt;Ele baixou-se um pouco, e a cadela esticou-se e lambeu-lhe a cara novamente.&lt;br /&gt;- Tira-me o chapéu, vamos.&lt;br /&gt;Diana saltou duas vezes e, à segunda, ficou com o chapéu entre os dentes. Deu uma volta ao redor de João, que se ajoelhou.&lt;br /&gt;- Põe-me o chapéu na cabeça, sua velhaca.&lt;br /&gt;Obedeceu, divertida e desajeitada no acto de cobrir o dono, que facilitou a tarefa com uma torção do pescoço.&lt;br /&gt;- Dá cá um aperto de mão.&lt;br /&gt;Diana levantou a pata direita para a mão estendida. João sacudiu-a como se fosse um cumprimento a sério.&lt;br /&gt;- Morre, Diana.&lt;br /&gt;A cadela deitou-se, imitando a morte sem saber o que imitava. João pegou no sacho, ergueu-o e apontou-lho à cabeça. A pancada caiu certeira e fulminante. Diana estremeceu por momentos, agitada por uma morte de que não se apercebeu. João tentou aguentar as lágrimas dentro dos olhos, como criança fazendo-se homem, mas acabou por chorar em silêncio. Havia de recordar aquela cena toda a vida, fingindo acreditar que estava bêbedo, e lutaria, em pesadelos de agonia, com um fantasma ensanguentado e imortal que tinha a aparência deformada de Diana. Abriu uma cova o mais fundo que pôde. Bateram as trindades, as últimas que iria ouvir por muito tempo. Descobriu a cabeça e rezou, coisa que nunca fizera ao som dos sinos da tarde. Depois, atirou Diana para dentro da cova e fechou a ilha sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Daniel de Sá&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Ilha Grande Fechada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-4549410352979128482?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/4549410352979128482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=4549410352979128482' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4549410352979128482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4549410352979128482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/03/conhecer-daniel-de-sa_01.html' title='Conhecer DANIEL DE SÁ'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/Sashpwf3zVI/AAAAAAAABCE/1Iz8Av198jc/s72-c/Daniel+de+S%C3%A1+9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-7311535314996485401</id><published>2009-02-04T12:21:00.004Z</published><updated>2009-02-04T12:31:30.425Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma Abelha na Chuva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carlos de Oliveira'/><title type='text'>Conhecer CARLOS DE OLIVEIRA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Óleo de Mário Dionísio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYmJaHNRmJI/AAAAAAAABBU/pqOayxfp7cM/s1600-h/Carlos+de+Oliveira+1.%C3%B3leo+de+M%C3%A1rio+Dion%C3%ADsio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298917518282430610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 347px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYmJaHNRmJI/AAAAAAAABBU/pqOayxfp7cM/s400/Carlos+de+Oliveira+1.%C3%B3leo+de+M%C3%A1rio+Dion%C3%ADsio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Levou o resto da manhã às voltas com a ideia e tanto lhe mexeu que a deixou a sangrar: o sangue farto das feridas recentes. Espantava o sono com goladas duma garrafa de aguardente que escondia no cofre. Pouco a pouco, ressuscitava nele o homem implacável que a intensa amargura dalguns dias arrancava ao desespero a que descia, como se o vento desse na poeira da sua consciência desmoronada e as pedras limpas se reerguessem umas sobre as outras. Nesses acessos tornava-se rígido, cruel. Orelhas surdas a lágrimas ou rogos. Por exemplo, saltava às suas terras, ao pegar do trabalho, e camponês que não chegasse a horas já sabia, a jorna descontada ou despedido pura e simplesmente. A indiferença dum capataz na roça. No geral, porém, semelhante crueza de carácter era sol de pouca dura. Anoitecia depressa para longas insónias de remorso e ave-marias. Bebeu outra golada de aguardente. Por dentro, no recesso da alma, o homem voluntarioso e efémero, sem escrúpulos, alcançava entretanto a estatura dum gigante. Olhava então com piedade para as próprias fraquezas, prometia à força momentânea: nunca mais, nunca mais. Em todo o caso, alguma coisa de dúbio passava da alma velha à alma nova. O que é, transformava-se o medo em cálculo, o terror religioso cedia o passo a uma crença firme e sem complicações na generosidade divina., que existe para tudo cobrir com o seu manto de perdão. E o remorso lá estava, mas encaroçado. Um quisto à margem do organismo em que se enconcha. À génese destas grandes transformações não era estranho o espectro da miséria que o pai lhe metera pelos olhos apavorados desde a infância, porque muita da fereza que o empedernia, da ganância cíclica que o empolgava, vinha daí, dessa longa lição individualista de que o homem é o lobo do homem e, portanto, entre devorar e ser devorado, o melhor é ir aguçando os dentes à cautela. Desta vez o ânimo impiedoso irrompia da sombra para saltar sobre o ruivo, que encarnava, por uma necessidade premente de fixar a angústia, o bode expiatório, o inimigo, a própria angústia. De semelhante ideia, mexida e remexida, é que o sangue brotara, e com tal ímpeto que o sentia correr pelo corpo todo, passar de simples razão mental a sustento do coração, a seiva que tornava a existência possível, e também a morte, se a fonte donde manava estiasse de repente. Daí que se pusesse a chamar o marçano aos berros, para lhe ordenar com a ânsia de quem empenha tudo na cartada:&lt;br /&gt;- Dá-me um salto à olaria do cego. Que venha cá. Que preciso de lhe falar urgentemente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carlos de Oliveira&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Uma Abelha na Chuva&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYmIvoodFlI/AAAAAAAABBM/gv6Lo5mO9_o/s1600-h/Uma+Abelha+na++Chuva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298916788520425042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 237px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYmIvoodFlI/AAAAAAAABBM/gv6Lo5mO9_o/s400/Uma+Abelha+na++Chuva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-7311535314996485401?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/7311535314996485401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=7311535314996485401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7311535314996485401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7311535314996485401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/02/conhecer-carlos-de-oliveira.html' title='Conhecer CARLOS DE OLIVEIRA'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYmJaHNRmJI/AAAAAAAABBU/pqOayxfp7cM/s72-c/Carlos+de+Oliveira+1.%C3%B3leo+de+M%C3%A1rio+Dion%C3%ADsio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-1467138590408913232</id><published>2009-01-30T15:03:00.006Z</published><updated>2009-01-30T15:29:15.432Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio Turvo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuel Poppe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Branquinho da Fonseca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Barão'/><title type='text'>Conhecer BRANQUINHO DA FONSECA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As obras "O Barão" e "Rio Turvo", de Branquinho da Fonseca, acabam de ser publicadas, em hebraico (tradução de Dalit Lahav) e em Israel (Editora MABA), com um posfácio de Manuel Poppe. (*) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A edição é patrocinada pelo Ministério da Cultura, Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pelo Centro Nacional do Livro de Israel. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYMX34WT3RI/AAAAAAAABA0/aBe_J9-hxhg/s1600-h/Branquinho+da+Fonseca+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297103835504041234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 227px; CURSOR: hand; HEIGHT: 332px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYMX34WT3RI/AAAAAAAABA0/aBe_J9-hxhg/s400/Branquinho+da+Fonseca+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho a obrigação de correr constantemente todo o País. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez só por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer. Entusiasmo-me com a beleza das paisagens que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Num país tão pequeno, é estranhável tal diversidade. Porém não sou etnógrafo, nem folclorista, nem estudioso de nenhum desses aspectos e logo me desinteresso. Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos comboios,além das ajudas de custo. Como vivo sozinho, é suficiente para as minhas necessidades. Posso fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso. Durante este mês quero estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível. Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez! Para pensar bem é preciso estar quieto. Talvez depois também cansasse, mas a natureza exige certa monotonia. As árvores não podem mexer-se. E os animais só por necessidade física, de alimento ou de clima, devem sair da sua região. Acerca disto tenho ideias claras e uma experiência definitiva. É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ia fazer uma sindicância à escola primária de V... Foi no Inverno, em Novembro, e tinha chovido muito, o que dera aos montes o ar desolado e triste dessas ocasiões.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;As pedras lavadas e soltas pelos caminhos, as barreiras desmoronadas, algumas árvores com os ramos torcidos e secos. Fui de comboio até à cidade mais próxima, onde depois tomei uma camioneta de carreira que me deixou, já de noite, numa aldeia cujo nome não me lembra. Disseram-me que havia uma hospedeira ao fundo da rua. Era uma velha casa em ruínas. Entrei e fui ter à cozinha, uma divisão comprida e escura, ao fundo da qual estava uma fogueira acesa. Ao pé da fogueira, uma velha sentada. Não me sentia à vontade. Estava embaraçado, sem saber o que devia fazer, quando chegou uma senhora a procurar por mim. Era a professora, que, sabendo da minha chegada, vinha esperar-me (...)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Branquinho da Fonseca&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;O Barão&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYMXZz1YQfI/AAAAAAAABAs/olgoVuvWZ0o/s1600-h/O+Bar%C3%A3o.Branquinho+da+Fonseca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297103318896099826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 255px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYMXZz1YQfI/AAAAAAAABAs/olgoVuvWZ0o/s400/O+Bar%C3%A3o.Branquinho+da+Fonseca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Branquinho da Fonseca (que usou o pseudónimo de António Madeira) foi poeta, dramaturgo e ficcionista. Natural de Pala (Mortágua), nasceu a 4 de Maio de 1905 e faleceu a 7 de Maio de 1974.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1925, ainda estudante de Direito em Coimbra, participa na fundação da revista literária Tríptico, dirigida por um grupo de jovens poetas como Vitorino Nemésio, Afonso Duarte e António de Sousa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da convivência deste grupo e dos seus colaboradores, entre eles José Régio, veio a surgir, em 1927, uma nova revista: Presença. São seus directores José Régio, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca. Foi, juntamente com a Orpheu, uma das revistas fundamentais da literatura portuguesa do século XX. Órgão do chamado segundo modernismo, assumindo-se como «folha de arte e crítica», deve-se-lhe um papel fundamental na difusão do grupo do Orpheu, tomando como mestres os escritores do primeiro modernismo português (Pessoa, Sá-Carneiro, Almada Negreiros).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1930, deixa a direcção da Presença para fundar, com Miguel Torga, a revista Sinal, que teve apenas um número publicado.Entre entras actividades e colaborações em revistas literárias, ocupa, em 1943, o lugar de Conservador do Museu-Biblioteca Conde de Castro Guimarães, em Cascais. Põe, então, em prática a primeira experiência, realizada em Portugal, no domínio das bibliotecas itinerantes. Uma carrinha do Museu vai proporcionar a grande parte da população do concelho, o empréstimo domiciliário de livros. Por esse facto, foi convidado pela Gulbenkian para organizar e dirigir o seu Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas, a partir de 1958, tendo sido seu primeiro director até à data da sua morte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Bibliografia&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;****************&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poesia &lt;/strong&gt;- Poemas (1926), Mar Coalhado (1932)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teatro&lt;/strong&gt; - Posição de Guerra (1928), Teatro I (1939)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficção&lt;/strong&gt; - Zonas (1931), Caminhos Magnéticos (conto,1938), O Barão (novela, 1942), Rio Turvo (conto,1945), Porta de Minerva (romance, 1947), Mar Santo (novela, 1952) e Bandeira Preta (conto, 1956)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outras&lt;/strong&gt;: Contos Tradicionais Portugueses e As Grandes Viagens Portuguesas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;___________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) Manuel Poppe tem travado uma incansável luta de divulgação de grandes escritores portugueses. Para que não caiam no esquecimento…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-1467138590408913232?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/1467138590408913232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=1467138590408913232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1467138590408913232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1467138590408913232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2009/01/conhecer-branquinho-da-fonseca.html' title='Conhecer BRANQUINHO DA FONSECA'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SYMX34WT3RI/AAAAAAAABA0/aBe_J9-hxhg/s72-c/Branquinho+da+Fonseca+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5872503176513990998</id><published>2008-12-31T18:08:00.001Z</published><updated>2008-12-31T18:10:32.927Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='2009'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ano Novo'/><title type='text'>2009</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SVu1fgNX38I/AAAAAAAAA6Q/i23WXSheHBA/s1600-h/Foz+do+Arelho.30Dez2008+17A2009.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286018140476006338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SVu1fgNX38I/AAAAAAAAA6Q/i23WXSheHBA/s400/Foz+do+Arelho.30Dez2008+17A2009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5872503176513990998?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5872503176513990998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5872503176513990998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5872503176513990998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5872503176513990998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/12/2009.html' title='2009'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SVu1fgNX38I/AAAAAAAAA6Q/i23WXSheHBA/s72-c/Foz+do+Arelho.30Dez2008+17A2009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5745167915100798913</id><published>2008-12-24T20:52:00.002Z</published><updated>2008-12-24T20:53:51.143Z</updated><title type='text'>Boas Festas!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SVKhV1MlKTI/AAAAAAAAA4g/lWJtLj8-TYg/s1600-h/Natal+2008+6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283462709288184114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SVKhV1MlKTI/AAAAAAAAA4g/lWJtLj8-TYg/s400/Natal+2008+6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5745167915100798913?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5745167915100798913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5745167915100798913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5745167915100798913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5745167915100798913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/12/boas-festas.html' title='Boas Festas!'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SVKhV1MlKTI/AAAAAAAAA4g/lWJtLj8-TYg/s72-c/Natal+2008+6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-8867540515282432637</id><published>2008-12-09T16:16:00.011Z</published><updated>2008-12-09T17:27:02.266Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade do futuro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aldous Huxley'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Admirável Mundo Novo'/><title type='text'>Conhecer ALDOUS HUXLEY</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ST6phIFR8iI/AAAAAAAAA2o/e4m5y2yX5j0/s1600-h/Admir%C3%A1vel+Mundo+Novo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277842199895208482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 231px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ST6phIFR8iI/AAAAAAAAA2o/e4m5y2yX5j0/s400/Admir%C3%A1vel+Mundo+Novo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;UM AVISO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Na próxima geração, acho que&lt;br /&gt;os senhores do mundo descobrirão&lt;br /&gt;que o condicionamento infantil&lt;br /&gt;e as narcoipnoses são mais eficazes,&lt;br /&gt;como instrumentos de governo, do que&lt;br /&gt;os garrotes e os calabouços, e que a&lt;br /&gt;avidez de poder pode ser saciada tão&lt;br /&gt;cabalmente se, através da indução, se&lt;br /&gt;conseguir que as pessoas amem a sua&lt;br /&gt;escravidão como se a chicotada e a&lt;br /&gt;pontapés lhes fosse imposta a&lt;br /&gt;obediência.&lt;/em&gt; [Aldous Huxley, 1949]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ST6oDvIEO8I/AAAAAAAAA2g/14UnOaneBNM/s1600-h/Aldous+Huxley.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277840595468172226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 281px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ST6oDvIEO8I/AAAAAAAAA2g/14UnOaneBNM/s400/Aldous+Huxley.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aldous Huxley&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Godalming (Reino Unido), 26 de Julho de 1894 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Los Angeles, 22 de Novembro1963&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;****************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- E é aí – disse sentenciosamente o director […] – que está o segredo da felicidade e da virtude: gostar daquilo que se é obrigado a fazer. Tal é o fim de todo o condicionamento: fazer as pessoas apreciar o destino social a que não podem escapar.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;O director pôs o interruptor na primitiva posição. A voz calou-se. Apenas o seu longínquo fantasma continuou a murmurar debaixo dos oitenta travesseiros.&lt;br /&gt;- Ouvirão isto repetido ainda quarenta ou cinquenta vezes antes de acordar; depois novamente na quinta-feira; e igualmente no sábado. Cento e vinte vezes, três vezes por semana, durante trinta meses. […]&lt;br /&gt;- Enfim, a hipnopedia, a maior força moralizadora e socializadora de todos os tempos.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Até que o espírito da criança seja essas coisas sugeridas e que a soma dessas coisas sugeridas seja o espírito da criança. E não apenas o espírito da criança, mas igualmente o espírito do adulto, e para toda a vida. O espírito que julga, deseja e decide, constituído por essas coisas sugeridas. Mas todas essas coisas sugeridas são aquelas que nós sugerimos, nós! - Que o Estado sugere.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Para governar, é necessário deliberar, e não perseguir. Governa-se com o cérebro, nunca com os punhos. Houve, por exemplo, o regime de consumo obrigatório…&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Cada homem, cada mulher e cada criança tinha obrigação de consumir uma determinada quantidade por ano. No interesse da indústria. O resultado…&lt;br /&gt;“Mais vale destruir que conservar. Quanto mais se remenda, pior se fica. Quanto mais se remenda…”&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- A objecção de consciência em grande escala. Qualquer coisa servia para não consumir. O regresso à Natureza.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Oitocentos praticantes da vida simples foram abatidos à metralhadora em Golden Green.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Depois houve o célebre massacre do Museu Britânico. Dois mil fanáticos da cultura mortos com gases de sulfito de dicloroetilo.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Finalmente […], os administradores verificaram a ineficácia da violência. Os métodos mais lentos, mas infinitamente mais seguros, da ectogénese, do condicionamento neo-pavloviano e da hipnopedia…&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Utilizaram-se enfim as descobertas de Pfitzner e de Kawaguchi. Uma intensa propaganda contra a reprodução vivípara…&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Acompanhada por uma campanha contra o passado, pelo encerramento dos museus, pela destruição dos monumentos históricos […]&lt;br /&gt;- Tais são as vantagens de uma educação verdadeiramente científica.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Seis anos mais tarde, foi produzido comercialmente. O medicamento perfeito.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Eufórico, narcótico, agradavelmente alucinante.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;- Podem obter uma fuga da realidade cada vez que disso sentirem necessidade e voltar a ela sem a menor dor de cabeça nem vestígios de mitologia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aldous Huxley&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Admirável Mundo Novo&lt;/em&gt; (1932)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-8867540515282432637?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/8867540515282432637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=8867540515282432637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/8867540515282432637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/8867540515282432637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/12/conhecer-aldous-huxley.html' title='Conhecer ALDOUS HUXLEY'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/ST6phIFR8iI/AAAAAAAAA2o/e4m5y2yX5j0/s72-c/Admir%C3%A1vel+Mundo+Novo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-2028105141888397315</id><published>2008-11-12T16:36:00.001Z</published><updated>2008-11-12T16:38:04.729Z</updated><title type='text'>Conhecer JOHN STEINBECK... numa frase</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SRsGY5P83xI/AAAAAAAAApg/jsecntxxOks/s1600-h/Velas+1E.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267811213894278930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 185px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SRsGY5P83xI/AAAAAAAAApg/jsecntxxOks/s400/Velas+1E.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-2028105141888397315?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/2028105141888397315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=2028105141888397315' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2028105141888397315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2028105141888397315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/11/conhecer-john-steinbeck-numa-frase.html' title='Conhecer JOHN STEINBECK... numa frase'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SRsGY5P83xI/AAAAAAAAApg/jsecntxxOks/s72-c/Velas+1E.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-3740910327810562587</id><published>2008-10-06T20:47:00.009+01:00</published><updated>2008-10-06T21:11:23.903+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Régio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Velha Casa'/><title type='text'>Conhecer JOSÉ RÉGIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpukPOqASI/AAAAAAAAAkY/2BDC9dlF7pM/s1600-h/Jos%C3%A9+R%C3%A9gio+3A.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254133484123455778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpukPOqASI/AAAAAAAAAkY/2BDC9dlF7pM/s400/Jos%C3%A9+R%C3%A9gio+3A.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…]&lt;br /&gt;A fantasia e o sonho são aves que em verdade se podem alimentar das nossas próprias miséria: tal desejo temos de nos não sentirmos miseráveis! Porém o desgosto demasiado premente sufoca-os; escorraça-os a contemplação ou preocupação demasiado imediata de um estado infeliz.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;O desgosto, a raiva e a revolta que actualmente o corrompiam – é que lhe faziam sentir um áspero prazer em ser injusto.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;Lelito não poderia esquivar-se hoje àquela obsessão da injustiça que praticara. A grossaria não estava no seu feitio; mas fora grosseiro (repetia consigo próprio que fora grosseiro, que fora grosseiro…) para com um desconhecido que o procurara, talvez, amigavelmente.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;Em suma: um triste; um &lt;em&gt;só&lt;/em&gt;; talvez, em certos aspectos um irmão. E fora esse que ele repelira do modo mais humilhante, mais arrogante, quando, vencendo uma timidez que não podia deixar de o caracterizar, o outro ensaiara aquela tentativa para aproximar as suas duas solidões, remediar a sua comum timidez…&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;Certa hesitação cobarde, irracional, que tantas vezes nos faz sacrificar ao comodismo de um momento a paz ou satisfação de vários dias, meses, anos, lhe insinuava que adiasse &lt;em&gt;para outra oportunidade&lt;/em&gt; a reparação que decidira oferecer ao ofendido.&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;Um pungente arrependimento apertou, como uma garra, a garganta de Lelito. Lelito suspeitou que esse homem tinha uma ferida, e ele lha pisara como sem dar por isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;José Régio&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Velha Casa I&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpuUey9AlI/AAAAAAAAAkQ/ceKHKQ483c0/s1600-h/A+Velha+Casa+I.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254133213424321106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpuUey9AlI/AAAAAAAAAkQ/ceKHKQ483c0/s400/A+Velha+Casa+I.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…] Lelito descobria com alvoroço – principalmente, com uma espécie de apaixonada gratidão, dirigida nem sabia a quem, a quê, - que outros tinham sofrido de inquietações, tormentos, perplexidades, agonias, enlevos ou desesperos idênticos aos seus; superiores aos seus. Assim, através do espaço e do tempo, se reconhecia como um elo vivo numa cadeia de humanidade angustiada, palpitante, roída pela fome de Absoluto. Capazes, muito capazes eram esses seus grandes irmãos mais velhos de dar fascinante expressão literária quer à sua angústia, quer ao seu fogo! Comparando com tais Obras os papéis em que, à maneira de diário, confissões ou memórias, e aliás com longas interrupções de sentido, ia registando ora as mais amplas ansiedades do seu espírito, (assim as julgava ele, naquela zona interior menos atingida pela convencional modéstia) ora os pequenos factos, puerilmente caricaturados &lt;em&gt;em grande&lt;/em&gt;, da sua vida quotidiana, por certo não podia deixar de reconhecer Lelito, ai dele!, a sua desanimadora inferioridade no exprimir-se. Nem por isso deixava de lhes ser comum, a ele e a tais heróis, o fundo dos sentimentos, pensamentos, aspirações. A verdade é que não estava tão só como o julgara! Não era tão anormal como, às vezes, o temia! Outros, admirados por grandes, haviam destapado ao mundo abismos perante quais deixavam de parecer monstruosas as suas pequenas perversões de sensibilidade, ou complicações de sentimentos. Outros haviam descido muito mais fundo os sinistros degraus do Desespero, e subido mais alto, sempre mais alto, as escadas sem suporte do Ideal. Mas se, com os seus poucos anos e uma experiência limitada às paredes duma velha casa, (ou dum colégio do Porto) sentira já coisas tão semelhantes às expressas em romances e poemas célebres…; melhor: se já cá chegara a pensar, embora com as inevitáveis hesitações e deficiências, coisas que, no fundo, eram base sobre que erigiam grandes pensadores as suas esplêndidas arquitecturas de ideias e relações, - é porque pertencia àquela família dos heróis dos romances, dos poemas, dos sistemas…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Régio&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Velha Casa II&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpuGgV2tcI/AAAAAAAAAkI/CpOBmDIU6xo/s1600-h/A+Velha+Casa+II.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254132973320975810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpuGgV2tcI/AAAAAAAAAkI/CpOBmDIU6xo/s400/A+Velha+Casa+II.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…] Não há problemas senão os de cada um.&lt;br /&gt;- Há os problemas colectivos da fome e do frio; da doença e da velhice desamparada; da miséria moral; do atraso intelectual; da redução do homem ao animal e ao servil… […] posso dar-te razão noutro ponto: Não há senão os problemas individuais. Os problemas da fome, do frio, da velhice, da infância ou da doença desamparada, do atraso mental, da imoralidade provocada pela miséria, da escravidão ou sufocação do mais fraco sob o dinheiro e o poder… começam por ser problemas individuais; problemas de cada um. Não lhes chamo colectivos senão porque são comuns a muitos indivíduos! Talvez, também, porque podem atormentar a consciência moral doutros indivíduos, os melhores, que assim se apropriam deles. Os que mais concretamente os sofrem, porém, é que nem sempre têm essa consciência…&lt;br /&gt;[…] E deveria aquele bem comum com que desde a adolescência sonhava – aquela vaga, distante &lt;em&gt;Humanidade&lt;/em&gt; pela qual desde sempre lutara, e que tantas decepções lhe dava quando tratada de perto – fazê-lo desprezar a felicidade ou infelicidade dos seus mais próximos parentes? Entre tantas outras, uma particularidade tivera ocasião de observar pela vida fora, no seu convívio com muito diversos camaradas, e até de nacionalidades diversas: E era que muitas vezes os homens que mais se empenham – e em verdade lutam – pelo progresso social da humanidade, são incompreensivos e frios, até duros, no contacto directo e individual com os seus semelhantes. E que, pelo contrário, se revelam tolerantes e até generosos, até caridosos, nesse contacto pessoal, muitos dos que, perante o novo ídolo, ou abstracção, da &lt;em&gt;Humanidade&lt;/em&gt;, (até perante uma colectividade real) se mostram cépticos, indiferentes, desdenhosos. Não se deixar escorregar nem a uma nem a outra destas limitações, - eis o que sonhava! Sabia, agora, que só nessa largueza do coração e do espírito se poderia verdadeiramente realizar a sua vida. E as decepções não deviam enfraquecê-lo. Os desânimos e tédios de momento (nem que dum momento arrastado longos meses…) não deviam fazê-lo perder a confiança. Tinha de sempre esperar! nem que humanamente desesperado; sempre crer! mesmo quando a sua crença humanamente lhe não aparecesse senão como aparência de crença, - um mero proceder como se cresse… Cada vez mais lhe dizia a experiência que os homens são fracos, mesquinhos, volúveis, loucos, desgraçados, viciosos…, e que talvez, dum certo ponto de vista, nem valha a pena lutar por eles! No fim de contas, não se acomodam com desesperadora facilidade a toda a espécie de vilania? Mas seria razão para não lutar, desde que, nesses pobres seres infelizes, tão ingratos que chegava a aborrecer como importunos, até a odiar e perseguir como inimigos, os seus melhores amigos, se não deixasse de reconhecer qualquer gérmen de ultrapassagem, qualquer luzinha, mesmo débil, que imprescindível era não deixar apagar-se…?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpt4nO0OjI/AAAAAAAAAkA/NkL_IWhHg7o/s1600-h/A+Velha+Casa+III.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254132734652332594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpt4nO0OjI/AAAAAAAAAkA/NkL_IWhHg7o/s400/A+Velha+Casa+III.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;Os homens como eu, que não podem renunciar a um ideal… que acabam por compreender que não podem… (está claro que falo dum ideal moral) por isso mesmo não podem renunciar a uma vontade de aperfeiçoamento próprio. Sim, têm necessidade de se reverem no espelho do seu ideal… ou da sua consciência… e não ficarem muito descontentes consigo: tão descontentes que desanimem. Isto os pode levar a hipocrisias… confusões… Talvez eu ainda não tenha pensado nisso suficientemente. Mas umas coisas não invalidam as outras, porque tudo em nós é impuro. Não podem esses mesmos homens também alguma coisa fazer pelo bem dos outros? pelo aperfeiçoamento geral?...&lt;br /&gt;- O tal bem dos outros é terem que comer; que vestir; onde morar; e não serem vexados impunemente.&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Régio&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Velha Casa III&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-3740910327810562587?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/3740910327810562587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=3740910327810562587' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/3740910327810562587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/3740910327810562587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/10/conhecer-jos-rgio.html' title='Conhecer JOSÉ RÉGIO'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOpukPOqASI/AAAAAAAAAkY/2BDC9dlF7pM/s72-c/Jos%C3%A9+R%C3%A9gio+3A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-2262095103697296572</id><published>2008-10-05T16:08:00.004+01:00</published><updated>2008-10-05T16:16:31.633+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Catedral Verde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João Aguiar'/><title type='text'>Conhecer JOÃO AGUIAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOjZHI5yJeI/AAAAAAAAAjQ/OZRlmS8IkYI/s1600-h/Jo%C3%A3o+Aguiar+B.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253687681999840738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOjZHI5yJeI/AAAAAAAAAjQ/OZRlmS8IkYI/s400/Jo%C3%A3o+Aguiar+B.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ainda não logrei definir com exactidão o que torna este lugar tão especial. Talvez a disposição das árvores, o modo como as suas cores se misturam sob a luz do Sol, talvez o jogo de sombras, talvez a folhagem – ou, neste momento, os ramos desnudados -, talvez o silêncio, porque é raro ouvir aqui outro som que não seja o das próprias árvores tocadas pelo vento.&lt;br /&gt;Não sei. Se acreditar nos efeitos do geomagnetismo... não, nada de explicações científicas.&lt;br /&gt;Lembro-me da primeira vez que aqui vim. Seguia de carro pela estrada, avistei o cruzeiro, que despertou a minha atenção – nesse tempo eu era um recém-chegado a Vale de Monges. Reduzi a velocidade, acabei por parar, o carro ficou estacionado mais ou menos no sítio onde hoje está. Voltei a olhar para o cruzeiro, que se ergue bizarramente, não à beira da estrada, mas no meio de um terreno coberto de mato rasteiro. E avistei, à distância, em pano de fundo, a mancha verde. Saí do carro sempre a olhar para ela, atravessei a estrada sem deixar de a olhar e caminhei até ao ponto exacto onde me encontro agora. Vim puxado, ou empurrado, por uma força que não sabia se me era exterior ou se era um impulso da minha fantasia que eu inconscientemente vestia com as roupagens da atracção magnética.&lt;br /&gt;Há aqui, pensei então, uma configuração especial que evoca a entrada de um templo: uma espécie de propileu. Mas esta configuração, pensei ainda, não é, ou não é exclusivamente, física. A evocação não está na forma como as árvores se encontram dispostas nem nos contornos e acidentes do terreno. Não é a imagem concreta das coisas, é a imagem que as coisas desenham dentro de mim.&lt;br /&gt; Hoje, após tantas visitas solitárias a este lugar, hoje penso o mesmo. Talvez por vergonha, não mais voltei a fazer o que então fiz. Ajoelhei-me primeiro, depois prostrei-me de olhos fechados, as mãos coladas à terra, e rezei – digo rezei porque todo o discurso dirigido a Deus, ainda que o nome não seja pronunciado, deve ser considerado uma oração.&lt;br /&gt;Não voltei a fazê-lo nem o poderia fazer neste momento sem, prosaicamente, ficar encharcado. Isso é pouco importante, porém… O lugar conserva o mesmo encanto, o silêncio feito de murmúrios é o mesmo, o mesmo é o verde luminoso e o movimento vagaroso, solene, da ramaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOjY321oZmI/AAAAAAAAAjI/NXjAAlLNlhU/s1600-h/A+Catedral+Verde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253687419452548706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOjY321oZmI/AAAAAAAAAjI/NXjAAlLNlhU/s400/A+Catedral+Verde.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Respiro fundo, caminho devagar por entre as árvores enquanto sinto que aqueles músculos sempre tensos – nos ombros, nos braços, no ventre, em muitos outros pontos do meu corpo – se distendem gradualmente. A sensação de alívio é tão forte que provoca em mim um efeito semelhante ao da vertigem.&lt;br /&gt;Um pouco mais adiante começa o pinhal – também ele não é um pinhal qualquer, antes é a nave do templo, o ponto central do espaço mágico. Julgo, ou melhor, estou certo de que é o centro da imutabilidade de Vale de Monges, um pequeno mundo de três quilómetros de largura que as águas do rio Mansil rasgaram milhões de anos antes de existirem a Aldeia do Retiro e a minha Casa da Tapada e os monges que lhe deram o nome; este vale misterioso, porque resiste às mutações do admirável mundo novo que nos bate à porta com grandes e obscenas punhadas. Estou certo, não me perguntem porquê, poderia jurar que essa estranha força de resistência emana daqui.&lt;br /&gt;Os pinheiros – há-os mansos e bravos – são enormes, de troncos grossos. Mas a altura que atingiram torna-os esguios, bem proporcionados, e um jogo de luz e sombras dá-lhes a aparência de colunas. Os ramos mais altos tocam-se de árvore para árvore com um efeito visual semelhante à forma das ogivas góticas e as copas dos pinheiros mansos uniram-se para formar uma vasta abóbada.&lt;br /&gt;Por isso eu chamo a este lugar a Catedral Verde. É um nome que nunca pronunciei em voz alta porque o meu sentido do ridículo mo impede. Em todo o planeta, não haverá mais que uma ou duas pessoas diante de quem eu falaria na catedral verde e, mesmo junto dessas, não o fiz até hoje. Contudo, em conversa íntima comigo mesmo, posso mandar o ridículo às urtigas. Esta é a minha catedral verde e o centro, o umbigo, a alma de Vale de Monges.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estive muito tempo sem vir aqui, um ano, talvez, e o reencontro acorda vários sentimentos, dos quais o mais forte é o remorso, ou antes, a auto-recriminação. Por ter permitido que as tensões e o ruído exterior do mundo me fizessem adormecer, distraído e neurótico, e assim abandonei a demanda do meu Graal particular. Aquilo a que eu chamo (também nunca, ou raramente, em voz alta) a busca da santidade.&lt;br /&gt;Era uma prioridade absoluta – e foi-se degradando até ao nível das pequenas dores recorrentes que nos incomodam de vez em quando a partir de uma certa idade e de um certo cansaço interior. Era o meu programa de vida e deixei-o decair até ao grau de ocupação de curtos tempos livres.&lt;br /&gt;...Não. Estou a ceder ao vício da dramatização, da tragedização. A realidade não é assim tão sombria porque esta demanda continua a ser, e é-o desde há muito, uma obsessão constante, mesmo quando apenas latente. Porém, de que serve ela, se não for mais do que isso, se eu não der o primeiro passo?&lt;br /&gt;Em que consiste exactamente esse primeiro passo, eis a grande questão. Talvez seja, sem mais, olhar à minha volta, sentir em vez de raciocinar, ouvir em vez de falar – ouvir a voz do silêncio de que falam místicos e iniciados.&lt;br /&gt;(Caminho muito devagar por entre as colunas da catedral. Se quiser manter esta imagem terei de admitir que a brisa, ao tocar as agulhas dos pinheiros, será um órgão e que os salmos são cantados por um coro de pássaros, mas não será isto excessivo, barroco, mesmo – ridículo? Por outro lado, como estou só, o ridículo não existe. O ridículo só existe quando alguém nos vê)&lt;br /&gt;...Ou talvez seja o contrário da simplicidade, talvez seja um multiplicar de gestos e de iniciativas. Se tomar o ioga como referência, talvez seja associar o hatha ioga à meditação.&lt;br /&gt;...Ou praticar o jnana ioga, o ioga do conhecimento e da intuição, ou o karma ioga, o da acção – das boas acções, por muito que esta expressão soe a falso no tempo corrente.&lt;br /&gt;...Ou, muito mais primitivamente: meditar, estudar as incursões científicas do domínio do paranormal no nosso domínio, ler todos os filósofos, todos os pensadores, todos os doutrinadores, conhecer todas as religiões.&lt;br /&gt;(Será mesmo verdade que o ridículo só existe quando alguém nos vê?)&lt;br /&gt;O que é surpreendente é que esta enxurrada de ideias não me desorienta nem me irrita. Aqui, neste momento, sinto apenas que tudo isto há-de resolver-se de algum modo, que aquilo a que eu chamo a busca da santidade, o meu Graal particular, está ao meu alcance, não sei como nem quando. E que hei-de ser capaz de construir dentro de mim aquele mundo-sonho do adolescente ressuscitado, onde os heróis podem cavalgar sobre pradarias limpas e em florestas densas regadas por chuvas tépidas.&lt;br /&gt;É este o efeito que sobre mim exerce a catedral verde de Vale de Monges.&lt;br /&gt;Fecho os olhos para sentir melhor a vibração deliciosa que me sacode. Respiro fundo, bem fundo, para me encher com o ar perfumado de pinheiros, aquecido pelo Sol.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt; João Aguiar&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Catedral Verde&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-2262095103697296572?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/2262095103697296572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=2262095103697296572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2262095103697296572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2262095103697296572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/10/conhecer-joo-aguiar.html' title='Conhecer JOÃO AGUIAR'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SOjZHI5yJeI/AAAAAAAAAjQ/OZRlmS8IkYI/s72-c/Jo%C3%A3o+Aguiar+B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5051894991346617676</id><published>2008-09-26T19:37:00.006+01:00</published><updated>2008-09-26T19:54:46.828+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Calheta de Nesquim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pico da Pedra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Açores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dias Melo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ponta Delgada'/><title type='text'>Conhecer DIAS DE MELO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SN0tc25lSXI/AAAAAAAAAio/bNv1iE5SzgU/s1600-h/Dias+de+Melo+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250402714380487026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SN0tc25lSXI/AAAAAAAAAio/bNv1iE5SzgU/s400/Dias+de+Melo+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu Pai tinha trabalhado na América debaixo da barba alheia, debaixo da barba brutal dos bossas, cada bossa o rosto que se via do patrão milionário em que ninguém punha a vista em cima e a quem todos serviam, os imigrantes a meio peso, linguagem do México, o mesmo é dizer a meio dólar por dia (trabalhador americano de nascimento, já nesse tempo, finais do século passado, princípio deste, nem por trinta dólares por mês o apanhavam), os emigrantes pediam trabalho, trabalhavam como escravos e não reclamavam na soldada, e eram tantos, nem meu Pai conseguia imaginar quantos, de todos os países do velho mundo, a trabalhar para cada patrão milionário, muitas vezes um patrão que começara por ser também imigrante e trabalhador, um trabalhador sem escrúpulos, e concluía meu pai ser preciso o trabalho de dezenas de trabalhadores para, de um trabalhador sem escrúpulos tornado patrão modesto, fazer um pequeno milionário, maior, cada vez maior, à medida que, de pequeno, se ir tornando grande até que acabavam por ser multidões de trabalhadores escravos a trabalhar para o pequeno cardume dos poderosos multimilionários donos do mundo, e infinita a multidão dos trabalhadores que os servem, arrastando-se na lama da miséria, para que eles se mantenham no fausto da mais escandalosa opulência. Com isto metido na cabeça se arrebanhou com os trabalhadores que entendiam que isto não estava certo e que se aventuravam a lutar para que deixasse de ser o que sempre fora. Eram muitos com ele na América, na Califórnia, milhões, muitos milhões no mundo inteiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quem se mete nestes sarilhos nem sempre consegue trabalho com facilidade, e sem trabalho, mais ou menos assegurado, não se arrecada muito dinheiro. Daí que, no regresso à ilha, meu Pai não fosse o calafona do costume, forrado de dólares e presunção pesporrente. E aqui uma coisa: na verdade, ao que dizem, os calafonas de volta, se traziam mil dólares consigo já era muito bom – e, a ganharem meio dólar por dia, espanta como tanto lograram arranjar. Tanto… Pouquíssimo na terra da América, aqui, no meio da nossa escassez, até dava para deitarem figura por uns tempos. O que trouxe meu Pai, não sei. Deu-lhe para comprar uns bocadinhos de terra e, penso já o ter dito, reabrir a loja tristemente encerrada pelo pai e fundada pelo avô brasileiro por meados do século passado, talvez, hoje, a mais antiga do Pico, isto tenho a certeza de já ter dito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Segue-se que, lá por, no regresso da América, ter comprado uns palmos de terra, coisa pouca, e se ter estabelecido com fazendas e calçado na loja que fora do pai e do avô, nunca por nunca se teve meu Pai na conta de mais que ninguém, nunca por nunca deixou de se ter na conta de igual a todos, fosse um pobre de pedir ou qualquer de mais aquela, assim, e não como comerciante, pequeno comerciante, mas comerciante, que uns furos acima dos demais na conta de burgueses da pequena burguesia rural se têm os comerciantes das aldeias, mesmo, ou mais que todos, os vindos da maior das misérias, alguns os conheci e conheço. Com isto, nem minha Mãe por ter nascido como nascera e ser filha de quem era, nem meu Pai por ter na América penado o que penara, vivido o que vivera, sido o que fora, jamais se consentiram considerar, muito menos que nós, os filhos, nos permitíssemos considerar como pessoas que não fossem da família os que nos ajudavam nos nossos trabalhos. Eram-no, pelo sangue, meu primo João Silveira, por afinidade o Tio Jorge, tanto como eles, sem laços de sangue nem de afinidades, além do José Chíchero, o Armando (um dos homens mais inteligentes que tenho conhecido, foi o primeiro a me abrir os olhos da sensibilidade e do pensamento e, de uma vez por todas, para a poderosíssima força da estupidez e do poderio do dinheiro que nos subjuga aqui e no mundo inteiro)…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- …&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não estou vendo as coisas com olhos avinagrados, estou a vê-las como, por mais que digam ou deixem de dizer, elas tardam em deixar de ser. Adiante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- …&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- … o Armando, o Manuel Madeirinha, o Manelinho de S. Miguel, o ti Manuel d’Ávila Moita (do ti Manuel d’Ávila Moita, Avô da minha defunta companheira, também tenho muito que contar, fica para outra), todos eram, em nossa casa e em pé de igualdade, com ou sem laços de parentesco, pessoas de família.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando comecei a trabalhar na terra, andaria pelos oito, nove anos, o mais assistente de todos, e por longos anos o foi, era o José Chíchero. Vinha connosco dois dias certos por semana, disse-o, em sua companhia trabalhava, a ele me afeiçoava, e afeiçoado fiquei para sempre, sabia lidar comigo, tratava-me de igual para igual, nem que fosse eu pessoa crescida, da sua idade, era paciente, explicava-me o que lhe pedia que me ensinasse, fosse o que fosse, para ele não havia coisas feias em que se não podia falar a crianças, assim, a seu modo com seriedade, me explicou coisas do sexo, do sexo e do amor, dantes só tinha ouvido rapazes mais velhos, um pouco mais velhos, disto falarem de maneira parva e canalha, vocês sabem como é que, nisto, tudo continua na mesma. Contei-lhe o que sentia pela Rosa do Mirante, envergonhado, a gaguejar, sem saber bem dizer o que sentia, veio, com o tempo, a ser a minha primeira grande paixão, o José Chíchero ouvia-me sem se rir, encorajava-me a falar, disse-lhe tudo o que lhe tinha para dizer lá conforme pude, aconselhava-me como se me não estivesse aconselhando, com um sorriso bom e palavras mansas:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SN0tQ4nhR-I/AAAAAAAAAig/QYi-bQ5uJk8/s1600-h/Reviver.Na+Festa+da+Vida+a+Festa+da+Morte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250402508683167714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SN0tQ4nhR-I/AAAAAAAAAig/QYi-bQ5uJk8/s400/Reviver.Na+Festa+da+Vida+a+Festa+da+Morte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Isso é amor. O amor começa por isso, pelo bichinho com comichão. Mas o amor não é só isso, é muito mais. É uma ferida, ao mesmo tempo uma flor dentro da gente. A raiz e o sangue da vida. Não há nada mais importante que o amor. Tanto que, sem o amor, não há vida e a vida que existe deixaria, sem amor, de existir. O homem nasceu para amar e para viver no amor do homem. Por isso a vida do homem sem a mulher, o amor da mulher, a seu lado, nem chega a ser vida, não tem sentido, nem vida da mulher o é, o tem, sem o amor do homem consigo. Vidas assim são vidas sem vida, vidas mortas como qualquer costa deserta de onde nunca se avista ao largo uma vela branca, o fundo branco de um navio no horizonte deserto do mar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nem sei como podia o José Chíchero falar desta maneira, mas falava quando falava de amor. As palavras, as frases, não seriam estas, p-á-pá-santa-justa, não podiam ser, era um homem simples, nem sabia ler, nem sequer assinar o seu nome, agora a ideia, essa, era, sem tirar nem pôr, eu, vocês bem vêem, com a idade que no tempo tinha, começara a trabalhar na terra com o José Chíchero aos oito, nove, iria nos doze, treze, nada entendia de tudo aquilo como deve ser aquilo entendido, embora aquilo me entrasse no coração (por muito estranho que pareça, há coisas que nos tocam, entram no coração, sem que a gente as entenda, ou julgue que as não entende sem que a gente saiba porquê, ou julgue que não sabe porquê, sei lá, talvez pela imensa força da imensa verdade que carregam consigo) e no coração me ficasse para hoje o entender em toda a sua extensão à custa de experiências várias, por mim sofridas, nem todas de boas recordações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Dias de Melo&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Reviver: Na Festa da Vida a Festa da Morte&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Calheta de Nesquim (Pico), 08.04.1925–Ponta Delgada (S. Miguel), 24.09.2008]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5051894991346617676?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5051894991346617676/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5051894991346617676' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5051894991346617676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5051894991346617676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/09/conhecer-dias-de-melo.html' title='Conhecer DIAS DE MELO'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SN0tc25lSXI/AAAAAAAAAio/bNv1iE5SzgU/s72-c/Dias+de+Melo+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-3778237110115846277</id><published>2008-09-10T19:14:00.010+01:00</published><updated>2008-09-10T23:54:03.014+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura francesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário de um Pároco de Aldeia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Georges Bernanos'/><title type='text'>Conhecer GEORGES BERNANOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMgtxt_CMiI/AAAAAAAAAiY/8RrEZoXh0-8/s1600-h/_Bernanos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244492098253763106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMgtxt_CMiI/AAAAAAAAAiY/8RrEZoXh0-8/s400/_Bernanos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[...]&lt;br /&gt;Acabo de ter um encontro. Oh! um encontro bem pouco surpreendente, afinal. No estado em que me acho, o menor acontecimento perde as suas proporções exactas, como uma paisagem no nevoeiro. Numa palavra, creio ter encontrado um amigo. Senti a revelação da amizade.&lt;br /&gt;Esta confissão surpreenderia muitos dos meus antigos colegas, pois todos me julgam bastante fiel a certas simpatias da mocidade. A minha memória das datas, a exactidão com que me lembro dos aniversários das ordenações, por exemplo, é célebre. Até troçam disso. Tudo, porém, não passa de simpatia. Compreendo, agora, que a amizade pode irromper entre dois seres, com este carácter de arrebatamento, de violência, que as pessoas do mundo só reconhecem na revelação do amor.&lt;br /&gt;Ia, pois, para Mézargues quando ouvi, atrás de mim, porém muito distante, um toque de sirene, esse rumor que aumenta e decresce, alternadamente, segundo os caprichos do vento ou as sinuosidades do caminho. De há alguns dias para cá, esta sirene é familiar a todos, já ninguém levanta a cabeça quando a ouve. Dizem apenas: &lt;em&gt;é a motocicleta do senhor Olivier&lt;/em&gt;. Uma máquina alemã, extraordinária, que dá a ideia de uma pequena locomotiva reluzente. O senhor Olivier, na realidade, chama-se Treville-Sommerange; é sobrinho da condessa. Os velhos que o conheceram, aqui, quando menino, contam muitas coisas sobre ele. Aos dezoito anos, foi preciso obrigá-lo a entrar para o exército. Era &lt;em&gt;levado&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Detive-me no alto do barranco para descansar. O barulho do motor cessou, por alguns segundos (por causa, talvez, da grande curva de Dillonne), e logo reapareceu bruscamente. Era como um grito selvagem, imperioso, ameaçador, desesperado. Quase no mesmo instante, o alto do morro, à minha frente, coroou-se de uma espécie de feixe de chamas - o sol caía, a pique, sobre o aço polido da motocicleta. E já a máquina mergulhava no fundo do declive, com um potente ronco, e subia tão rapidamente que se tinha a impressão de haver dado um pulo. Saltei para o lado, a fim de a deixar passar; então, tive a sensação de que o meu coração era arrancado do peito. Foi preciso que se passasse um instante, para que eu compreendesse que o barulho havia cessado. Não ouvia mais do que o grito agudo dos freios, o ranger das rodas no chão. Depois, esse barulho também cessou. O silêncio pareceu-me ainda mais enorme do que o grito.&lt;br /&gt;O senhor Olivier estava ali, diante de mim, com a sua blusa cinzenta de gola levantada até às orelhas, sem chapéu. Nunca o havia visto de tão perto. Tem um rosto calmo, tranquilo e uns olhos tão pálidos que não se pode dizer qual é realmente a sua cor. Olhava-me sorrindo.&lt;br /&gt;- Quer subir, senhor vigário? - perguntou-me com uma voz - meu Deus! uma voz que imediatamente reconheci, doce e inflexível - a voz da condessa.&lt;br /&gt;(Não sou bom fisionomista, como dizem, mas tenho a memória das vozes, não as esqueço nunca, amo-as. Um cego, a quem nada distrai, deve aprender muitas coisas, ouvindo vozes.)&lt;br /&gt;- Por que não, meu senhor? - respondi.&lt;br /&gt;Observámo-nos um ao outro, em silêncio. Li, no seu olhar, a surpresa e um pouco de ironia também. Ao lado daquela chamejante máquina, a minha batina era uma negra e triste mancha. Por que milagre me senti, então, jovem, tão jovem - ah! sim, tão jovem - como aquela triunfal manhã? Como num relâmpago, vi a minha triste adolescência - não como os afogados que, segundo dizem, revêem as suas vidas, antes de desaparecer, pois a impressão que sentia não era a de uma sucessão quase instantânea de quadros, não! Era como se tivesse diante de mim, uma pessoa, um ser (vivo ou morto, só Deus o sabe!). Mas eu não estava seguro de reconhecê-lo, não o reconheceria porque... - oh! isso vai parecer estranho - porque o estava vendo pela primeira vez, nunca o tinha visto antes... A minha adolescência passara, noutro tempo - como passam, junto de nós, tantos estranhos que poderiam vir a ser irmãos nossos, mas que se afastam e não voltam mais. Nunca fui jovem, porque nunca me atrevi a sê-lo. À minha volta, provavelmente, a vida seguia o seu curso; os meus camaradas conheciam, saboreavam esta ácida Primavera, enquanto eu me esforçava por não pensar nela, por me estontear de trabalho. Não me faltavam simpatias, é certo. Mas os melhores dos meus amigos deviam temer, ainda que contra a sua vontade, a marca que em mim havia deixado a infância, a experiência infantil da miséria, do seu opróbrio. Seria necessário que lhes abrisse o meu coração, mas o que importava dizer era, precisamente, o que eu queria manter escondido, a todo o custo... Meu Deus! isso me parece tão simples, agora! Nunca fui jovem, porque ninguém o quis ser comigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Sim, as coisas me pareceram subitamente simples. A lembrança da adolescência nunca mais se apartará de mim. O céu claro, o rubro nevoeiro crivado de ouro, as descidas da estrada ainda brancas de gelo, e esta máquina deslumbrante que arquejava docemente sobre o solo... Compreendi que a juventude é uma idade bendita - que é um risco a correr - mas que o próprio risco é abençoado. E, por um pressentimento que não sei explicar, compreendia também, &lt;em&gt;sabia &lt;/em&gt;que Deus não queria que eu morresse sem conhecer qualquer coisa desse risco - exactamente o bastante, talvez, para que o meu sacrifício fosse total, quando chegasse o momento... Conheci esse pobre e fugaz minuto de glória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Falar assim, a propósito de um encontro tão banal deve parecer bem tolo, sei disso. Que importa! Para não ser ridículo na felicidade, é preciso conhecê-la desde os primeiros anos, quando ainda não se pode nem sequer balbuciar o seu nome. Nunca mais terei, nem por um segundo, esta firmeza, este garbo. A felicidade! Uma espécie de altivez, de alegria, uma esperança absurda, puramente carnal, a forma carnal da esperança: creio que é a isso que se chama felicidade. Enfim, sentia-me jovem, realmente jovem, diante deste companheiro tão jovem como eu. Ambos éramos jovens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMgohbbNDUI/AAAAAAAAAh4/08rn1_lHXk4/s1600-h/DiÃ¡rio+de+um+PÃ¡roco+de+Aldeia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244486320835595586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMgohbbNDUI/AAAAAAAAAh4/08rn1_lHXk4/s400/Di%C3%A1rio+de+um+P%C3%A1roco+de+Aldeia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[...] Eu continuava no mesmo estado de distracção, de ausência. Por mais que me esforce, nunca chegarei a compreender por que espantoso prodígio, pude, em tais circunstâncias, esquecer até o nome de Deus. Estava só, inexprimivelmente só, diante da morte, e esta morte era apenas a privação do ser, nada mais. O mundo visível parecia desprender-se de mim com uma velocidade espantosa e numa desordem de imagens, não fúnebres, mas, ao contrário, totalmente luminosas, deslumbrantes. É possível? Será que o amei tanto? Essas manhãs, essas tardes, esses caminhos? Caminhos cambiantes, misteriosos, caminhos cheios dos passos dos homens. Será que amei tanto os caminhos, nossos caminhos, os caminhos do mundo? Que menino pobre, crescido no pó dessas estradas, não lhes teria confiado seus sonhos? Levai-nos lentamente, majestosamente, para não sei que mares desconhecidos, ó grandes rios de luz e de sombra que conduzis os sonhos dos pobres! Creio que foi a palavra - Mézargues - que feriu, desse modo, meu coração. Meu pensamento parecia muito longe do senhor Olivier, do nosso passeio e não havia tal, entretanto. Não tirava os olhos do rosto do doutor e, subitamente, ele desapareceu. Não compreendi, logo, que estava chorando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Sim, eu estava chorando. Chorava sem um soluço, penso que sem um suspiro sequer. Chorava com os olhos abertos, como vi tantas vezes chorarem os muribundos. Era a vida que saía de mim. Enxuguei os olhos com as mangas da batina; distingui, novamente, o rosto do doutor Laville. Tinha uma expressão indefinível de surpresa, de compaixão. Se alguém pudesse morrer de desgosto, eu teria morrido. Deveria ter fugido e não tive coragem. Esperava que Deus me inspirasse uma palavra, uma palavra de sacerdote; teria pago essa palavra com a minha vida, com o que me restava de vida. Quis, ao menos, pedir-lhe perdão; só pude balbuciar a palavra, as lágrimas sufocavam-me. Sentia-as correr pela garganta: tinham o gosto do sangue. Quanto daria para que fossem mesmo de sangue! Donde vinham essas lágrimas? Quem poderia dizê-lo? Não era por mim mesmo que chorava, juro-o! Nunca tinha estado tão perto do ódio a mim mesmo. Não chorava pela minha morte. Na minha infância, acontecia-me despertar assim, soluçando. De que sonho acabava agora de despertar? Oh! pensei ter atravessado o mundo, quase sem o ver, como quem caminha de olhos baixos, entre a multidão. Cheguei a pensar que desprezava o mundo. Mas, então, era de mim que me envergonhava, não dele. Era como um pobre homem que ama sem ter coragem de o dizer, que não tem coragem nem de confessar a si mesmo que ama. Oh! não nego que essas lágrimas poderiam ser lágrimas de fraqueza. Mas eram, também, lágrimas de amor...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;Georges Bernanos&lt;em&gt;,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Diário de um Pároco de Aldeia&lt;/em&gt; &lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-3778237110115846277?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/3778237110115846277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=3778237110115846277' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/3778237110115846277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/3778237110115846277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/09/conhecer-georges-bernanos.html' title='Conhecer GEORGES BERNANOS'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMgtxt_CMiI/AAAAAAAAAiY/8RrEZoXh0-8/s72-c/_Bernanos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-241118631463362666</id><published>2008-09-08T21:33:00.004+01:00</published><updated>2008-09-08T21:52:09.460+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Philip Roth'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Mancha Humana'/><title type='text'>Conhecer PHILIP ROTH</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMWM3vrV0MI/AAAAAAAAAhY/66Hogm4L-gE/s1600-h/Philip+Roth.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243752230461755586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMWM3vrV0MI/AAAAAAAAAhY/66Hogm4L-gE/s400/Philip+Roth.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…]&lt;br /&gt;É claro que chorou no funeral e teve consciência de quanto era colossal aquilo que, de maneira tão inesperada, fora levado. Quando o pastor leu, juntamente com passagens bíblicas, um conjunto de excertos de &lt;em&gt;Júlio César&lt;/em&gt; do amado volume de peças de Shakespeare do seu pai – um livro enorme, com uma encadernação de couro mole que, quando Coleman era pequeno, lhe lembrava sempre um &lt;em&gt;cocker spaniel&lt;/em&gt; -, o filho sentiu como nunca a majestade do pai: a grandeza tanto da sua ascensão como da sua queda, a grandeza que, como caloiro universitário ausente havia um escasso mês do pequeno reduto da sua casa em East Orange, começara, ainda muito ao de leve, a ver como na realidade era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cobardes morrem muitas vezes antes de morrerem;&lt;br /&gt;O corajoso só uma vez o sabor da morte prova.&lt;br /&gt;De todos os prodígios de que já ouvi falar,&lt;br /&gt;O mais estranho me parece que temam os homens;&lt;br /&gt;Posto que a morte, um fim inescapável,&lt;br /&gt;Virá quando tiver de vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra “corajoso”, com a intonação que o pregador lhe deu, despojou Coleman de todos os seus viris esforços para um autodomínio sóbrio e estóico e pôs a nu a sua saudade daquele homem que lhe era mais do que todos chegado e nunca mais voltaria a ver, o pai incomensurável que sofria em segredo e falava com tal facilidade e arrebatamento que o seu dom da palavra bastara para, inadvertidamente, incutir nele a vontade de ser admirável. Coleman chorou com a mais fundamental e transbordante das emoções, irremediavelmente reduzido a tudo aquilo que lhe era insuportável. Quando, adolescente, se queixava do pai aos amigos, caracterizava-o com muito mais desdém do que sentia ou tinha, sequer, a capacidade de sentir; aparentar um modo impessoal de julgar o próprio pai era mais um dos métodos que divisara para inventar e proclamar invulnerabilidade. Mas sentir que já não estava circunscrito nem definido pelo pai era como descobrir que todos os relógios para que olhava tinham parado e não existia maneira alguma de saber que horas eram. Quer lhe agradasse quer não, era como se, até ao dia em que chegara a Washington e entrara na Howard, tivesse sido o pai que fizera em seu lugar a sua história. Agora teria de ser ele a fazê-la, e essa perspectiva era aterradora. Mas depois deixou de ser. Passaram três dias terríveis e assustadores, passou uma semana terrível, duas semanas terríveis, e de repente, sem mais nem menos, o que era aterrador tornou-se estimulante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMWMoyI_ZbI/AAAAAAAAAhQ/ik1VWWUBp8I/s1600-h/A+Mancha+Humana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243751973424948658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMWMoyI_ZbI/AAAAAAAAAhQ/ik1VWWUBp8I/s400/A+Mancha+Humana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Como evitar aquilo/Cujo fim é determinado pelos poderosos deuses?” Versos também de &lt;em&gt;Júlio César&lt;/em&gt;, que lhe tinham sido citados pelo pai, e, contudo, só com o pai na sepultura ele se dignara finalmente a escutar, mas que, ao escutá-los, de imediato engrandecera. &lt;em&gt;Isto&lt;/em&gt; tinha sido determinado pelos poderosos deuses! A liberdade de Silky. O Eu puro. Toda a subtileza de ser Silky Silk.&lt;br /&gt;Descobrira em Howard que não era apenas um preto para Washington D.C. – e, como se esse choque não tivesse sido suficientemente forte, descobriu que era também um negro. Um negro de Howard, para mais. Da noite para o dia, o puro Eu tornou-se parte de um nós com toda a solidez dominadora do nós, e Coleman não quis ter nada a ver nem com ele nem com outro nós opressivo que surgisse. Saímos finalmente de casa, a Ur de nós, e encontramos &lt;em&gt;outro&lt;/em&gt; nós? Outro lugar que é exactamente como esse, o &lt;em&gt;substituto&lt;/em&gt; desse? Enquanto cresceu em East Orange foi sem dúvida um negro, uma parte muito integrante da sua pequena comunidade de cerca de cinco mil almas, mas no boxe, na corrida, no estudo, em tudo aquilo em que se concentrara e fora bem-sucedido, nas suas andanças solitárias por todos os cantos de Orange e, com ou sem Doc Chizner, para o outro lado da fronteira de Newark, foi, sem pensar nisso, também tudo o mais. Foi Coleman, o maior dos grandes &lt;em&gt;pioneiros&lt;/em&gt; do Eu.&lt;br /&gt;Depois partiu para Washington e, no primeiro mês, foi um preto e nada mais e foi um &lt;em&gt;negro&lt;/em&gt; e nada mais. Não, não. Viu o destino à sua espera e não o quis. Compreendeu-o instintivamente e recuou espontaneamente. Não podemos deixar o grande eles impor-nos a sua intolerância, do mesmo modo que não podemos deixar o pequeno eles tornar-se um nós e impor-nos a sua ética. Não à tirania do nós e dos nossos discursos e de tudo que o nós pretende fazer desabar sobre a nossa cabeça. Jamais, para ele, a tirania do nós desejosos de nos absorver, do nós moral coercivo, inclusivo, histórico e inelutável com o seu insidioso &lt;em&gt;E pluribus unum&lt;/em&gt;. Nem o eles da Woolworth, nem o nós de Howard. Em vez dele, o Eu puro com toda a sua agilidade. Descoberta de &lt;em&gt;si&lt;/em&gt;: era esse o directo à pança. Singularidade. A luta apaixonada pela singularidade. O animal singular. A relação deslizante com tudo. Não estática, mas deslizante. Conhecimento de si, mas &lt;em&gt;oculto&lt;/em&gt;. Haverá alguma coisa mais poderosa?&lt;br /&gt;“Cuidado com os idos de Março.” Treta. Cuidado com coisa &lt;em&gt;nenhuma&lt;/em&gt;. Livre. Com ambos os sustentáculos perdidos – o irmão mais velho do outro lado do mar e o pai morto -, sente-se revigorado e livre para fazer o que quiser, livre para atingir o maior dos objectivos, sente nos próprios ossos a confiança necessária para ser o seu Eu individual. Livre numa escala inimaginável para o seu pai. Tão livre quanto o seu pai fora oprimido. Livre agora não só do pai mas também de tudo o que o pai tivera sempre de suportar. As imposições. As humilhações. As obstruções. A ferida, a dor, a atitude, a vergonha: todas as angústias secretas do fracasso e da derrota. Em vez disso, livre no grande palco. Livre para seguir em frente e ser grandioso. Livre para representar o drama sem limites e autocaracterizador dos pronomes nós, eles e eu.&lt;br /&gt;A guerra continuava e, a não ser que terminasse de um momento para o outro, ele acabaria por ser recrutado. Se Walt estava em Itália a combater contra Hitler, por que não haveria ele de lutar também contra o sacana? Corria o mês de Outubro de 1944 e ainda lhe faltava um mês para completar 18 anos. Mas ser-lhe-ia fácil mentir a respeito da idade, não seria problema nenhum atrasar um mês a data do seu nascimento, passando-a de 12 de Novembro para 12 de Outubro. E, a contas com o desgosto da mãe – e com o abalo que lhe causara ao abandonar a universidade -, não lhe ocorreu imediatamente que, se quisesse, também poderia mentir a respeito da sua raça. Tirar partido da sua pele da maneira que lhe apetecesse, atribuir a si mesmo a cor que quisesse. Isso só lhe veio ao espírito quando estava sentado no edifício federal de Newark, com todos os impressos para se alistar na Marinha à frente e, antes de os preencher, começou a lê-los cuidadosamente, com a mesma atenção meticulosa com que estudara para os exames liceais, como se tudo quanto fizesse, de grande ou pouca monta e tomasse-lhe o tempo que tomasse, fosse a coisa mais importante do mundo. E nem mesmo então lhe ocorreu a &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt;. Quem primeiro se deu conta foi o seu coração, que começou a bater com força como o coração de alguém na iminência de cometer o seu primeiro grande crime.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Philip Roth&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Mancha Humana&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-241118631463362666?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/241118631463362666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=241118631463362666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/241118631463362666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/241118631463362666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/09/conhecer-philip-roth.html' title='Conhecer PHILIP ROTH'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SMWM3vrV0MI/AAAAAAAAAhY/66Hogm4L-gE/s72-c/Philip+Roth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-1726645810678862157</id><published>2008-07-29T00:07:00.007+01:00</published><updated>2008-07-29T00:58:49.560+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel Gouveia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Porta Estreita'/><title type='text'>Conhecer ISABEL GOUVEIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SI5SErE4FiI/AAAAAAAAAfg/NXgGbe2qnWc/s1600-h/Isabel+Gouveia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228206457659856418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SI5SErE4FiI/AAAAAAAAAfg/NXgGbe2qnWc/s400/Isabel+Gouveia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A PORTA ESTREITA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Sem saber porquê, o homem viu-se encerrado entre quatro paredes brancas. Sentaram-no numa cadeira velha, em frente de uma secretária velha, empurraram-na para diante e mostraram-lhe uma imensa papelada vazia. No espaço limitado pelas quatro paredes brancas encontrava-se ainda uma misérrima estante de portas de vidro. Por detrás destas, viam-se enormes lombadas de livros, deterioradas pela pressão dos dedos que, com sádica sofreguidão, buscando neles alguma coisa. Em frente da secretária havia ainda duas cadeiras cujo destino o homem ignorava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Logo em seguida, assomou uma cabeça de ovo branco à porta estreita por onde se escoava a sala. Um indivíduo, de jeito ansioso, adiantou-se e sentou-se numa dessas cadeiras. O homem olhou-o, perturbado e distante, e a intrometida personagem desatou a língua numa verborreia monótona e tola. Como esta não produzisse efeito, levantou-se, agarrou o homem pela gola do casaco, inclinou-lhe a cabeça para a frente, mergulhando-a na imensa papelada vazia com uma pancada de osso quebrado. Depois, ergueu-lha com ar de triunfo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;O nosso homem começou, então, a compreender o motivo por que estava ali. Prestou mais atenção à papelada vazia e, aquém e além, notou-lhe umas manchas escuras. Impressionado, procurou observá-la à transparência. Não havia dúvida de que os papéis não estavam de todo vazios. Imediatamente, porém, percebeu que seriam precisos anos e anos para decifrar as manchas escuras, e não tinha outro remédio senão sujeitar-se a esse enfadonho trabalho. Todos os dias viriam alguns indivíduos como aquele: impacientes, coléricos, rubicundos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Então, embora sem lhe atingir a finalidade, agarrou-se com unhas e dentes ao estudo daquela imensa papelada branca, numa sala de paredes brancas, cujo único escoadouro era aquela porta onde assomavam cabeças rapadas de homens estranhos. Até que um dia, quando pensava que havia conseguido começar a realizar os seus intentos, foi visitado por um homenzarrão de fato elegante, sapatos da última moda e farta cabeleira preta, que lhe pegou abruptamente na papelada e pôs-se a decifrá-la em voz alta, numa linguagem confusa. Fazia gestos teatrais, enquanto recitava, de forma incompreensível, o conteúdo das manchas escuras para um pseudo-auditório que o homem representava. Este perguntou-lhe porque permitia que levasse anos e anos a descobrir o sentido daquelas coisas, e o homenzarrão, de cara fechada, respondeu-lhe com um monossílabo agudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SI5R1gMs9jI/AAAAAAAAAfY/vRcX51Fb5-Y/s1600-h/A+Porta+Estreita.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228206197041854002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SI5R1gMs9jI/AAAAAAAAAfY/vRcX51Fb5-Y/s400/A+Porta+Estreita.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Depois desta estranha entrevista, o nosso homem pensou que o melhor seria estudar a "língua" que o outro falava. Assim, talvez fosse possível, numa futura visita, apreender por completo e fixar o sentido das manchas. Levou anos e anos nesse trabalho, até que um dia, perplexo, percebeu que lhe tinham levado a papelada vazia e deixado a secretária vazia. As lombadas da estante misérrima continuavam sem conteúdo. À sua volta havia apenas quatro paredes brancas e um único escoadouro possível: a porta estreita que nunca tentara transpor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Isabel Gouveia&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Porta Estreita&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-1726645810678862157?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/1726645810678862157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=1726645810678862157' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1726645810678862157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1726645810678862157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/07/conhecer-isabel-gouveia.html' title='Conhecer ISABEL GOUVEIA'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SI5SErE4FiI/AAAAAAAAAfg/NXgGbe2qnWc/s72-c/Isabel+Gouveia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-1452535396746426504</id><published>2008-07-16T18:55:00.004+01:00</published><updated>2008-07-16T19:19:25.949+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tomaz de Figueiredo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma Noite na Toca do Lobo'/><title type='text'>Conhecer TOMAZ DE FIGUEIREDO</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Nunca fui nem hei-de ir num barco à vela, entre o azul do céu e o azul do mar, deixar que o meu sonhar fosse palpável, seja real sem que deixe de ser sonho. Nunca o vento do largo há-de tostar-me a pele, nem uns olhos também azuis me olharão com amor. Nunca hei-de ter licença para ser o que sou, só hei-de ter a licença camarária para ir dentro de um caixão, com todos os meus sonhos prisioneiros lá dentro, misturados com o fedor de um cadáver.&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;Tomaz de Figueiredo&lt;/strong&gt;, Outubro de 1942&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SH420-KZ3hI/AAAAAAAAAew/jHAjCEf2eio/s1600-h/Tomaz+de+Figueiredo+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223672901464088082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SH420-KZ3hI/AAAAAAAAAew/jHAjCEf2eio/s400/Tomaz+de+Figueiredo+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Tomaz de Figueiredo&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;(Braga, 6 de Julho 1902 / Lisboa, 29 de Abril de 1970)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SH42bSy5W2I/AAAAAAAAAeo/1wD-uNBFFtU/s1600-h/Uma+Noite+na+Toca+do+Lobo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223672460326034274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SH42bSy5W2I/AAAAAAAAAeo/1wD-uNBFFtU/s400/Uma+Noite+na+Toca+do+Lobo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aquela noite na Toca do Lobo…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A “vista” dos fios do telégrafo vestidos de andorinhas, que a prima D. Maria do Socorro também quisera mostrar, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt; e que ele, Diogo, por demais já conhecia, a qual, por associação de ideias, sempre lhe trazia à lembrança um corte de fios, no tempo dos Couceiristas, crime por que pagara, inocente ou culpado, o senhor padre Magalhães de Araújo, Reitor de Santa Maria do Paço…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Inocente ou culpado, tardio de averiguar, procurando-lho, pois que há muito era morto o Reitor de Santa Maria do Paço…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ele, decerto que não – clérigo minhoto e sanguíneo de luzida papada (seus para aí noventa quilos e pico de peso) -, mas o criado, o Espreita, por incumbência do amo, esse é que provavelmente apolaria ao poste e, com o alicate, &lt;em&gt;trique! trique!,&lt;/em&gt; deixara as autoridades republicanas às escuras, enquanto o novo Arcanjo São Miguel investia a espedaçar a lança no coirato do dragão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Só crível, quando muito, que o Reitor de Santa Maria do Paço, na valeta e de caçadeira no sovaco, apenas guardasse as costas e a retirada ao Espreita, mas aos ferros do Castelo, em Braga, o vira pagar pelo delito: e que assim as lágrimas lhe haviam queimado as meninas dos olhos de quase menino, alcançando-o a acenar-lhe lá de cima!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O senhor Reitor de Santa Maria do Paço – que já o convidava para os jantarões que oferecia pela Senhora das Candeias, pelo 25 de Março e pela Assunção de Nossa Senhora – ali penava de grades adentro!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Parecia-lhe que para sempre, que ali apodreceria vivo, martirizado pela Carbonária, que jamais voltaria lá a casa, a levar notícias frescas e jogar a sueca…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ah! cabelos que tanto iam agora a embranquecer, porventura que a paixão nesse dia sentida principiara já a trabalhar para tal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Noitadas de sueca e de conspiração, lá em casa!... Sinetadas em código, ao portão, de algum emissário que passara a raia!... Desalentos e esperanças renascidas!... A morte do tio Leonel, em Chaves, meses a seguir, depois que se haviam também juntado a Paiva Couceiro!...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ah! se viesse a casar, jamais os filhos haviam de viver um tempo assim de Fé, de Lealdade e Maravilhoso: apenas pelo sangue o poderiam entender…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Duas e três mesas de sueca chegavam a armar-se, pois, além de vários esturrados da fidalgaria e do povo, apareciam mais padres: o padre Telmo Gonçalves, sempre de revólver e pessimista, o Abade de São Tiago, puxador de pau, o padre Amândio Gomes, pícaro brincazão, contador de anedotas sujas, o padre…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E todos se fiavam já do menino, que nem à mão de Deus Padre daria à língua! Assim ele ia ouvindo falar de armamentos, nomear um navio de guerra: em cifra, &lt;em&gt;O Bicho&lt;/em&gt;, que tal e qual lhe chamara o Reitor de Lavouras, homiziado, participando que breve regressaria. (&lt;em&gt;Eu cá, sigo no Bicho!&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Claro que tudo ia ser desnecessário, carabinas e cruzador, visto que, em peso, a tropa toda se levantaria, mal que Paiva Couceiro entrasse. Paiva Couceiro, até, muito raro era o dia em que não recebesse instâncias de mais este e de mais aquele regimento – que se apressasse, que resolvesse ligeiro, de contrário revoltavam-se eles antes… Da melhor fonte se sabia que, apenas fiado em tais prometimentos, solenes e jurados, o Comandante preparava a incursão, porquanto, militar, nunca se lhe meteria em cabeça a conquista dum país com duas ou três centenas de escopeteiros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ah! enrodilhado arquivo da memória, donde factos e factos saíam como em rede de  arrasto! E, tudo, só pela “vista” duns fios de telégrafo, com andorinhas migradoras, que nem sequer a prima D. Maria do Socorro chegara a apresentar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Escândalo, e taludo, fora o mestre-escola ter-se gabado aos rapazes: - “Eu cá, a mais o senhor professor de Portelo, o senhor Gonçalves, pertencemos à Carbonária!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Protestavam, pais e mães de família: - “Então ele, esse Nunes, que se farta de ganhar dinheiro pelas festas da Igreja, a cantar e a tocar órgão, tem o descaramento de ser carbonário? Pois deixa que o meu filho é que não torna a pôr-lhe os pés na aula! Vai direitinho para a de São Brás, a do senhor José Baltasar, que esse é temente a Deus, embora fique um pouquinho mais longe! O rapaz que se erga mais cedo, e está o caso arrumado!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Bem possível que de tais feitos nascesse a inimizade, a guerra que por anos e anos abrasara os alunos das duas escolas: combatimentos à pedra, cabeças alanhadas, encontros singulares, à murraça, e até à navalha: muitos pontos naturais e gastos de arnica, peleiras em casa: trepas de criar bicho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Tomaz de Figueiredo&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Uma Noite na Toca do Lobo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;______________________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;N&lt;em&gt;o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;famoso cosmorama que o mano Francisquinho, Deus o tivesse em descanso, trouxera desses Parises de perdição.&lt;/em&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nota minha, com palavras do autor)&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-1452535396746426504?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/1452535396746426504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=1452535396746426504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1452535396746426504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1452535396746426504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/07/conhecer-tomaz-de-figueiredo.html' title='Conhecer TOMAZ DE FIGUEIREDO'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SH420-KZ3hI/AAAAAAAAAew/jHAjCEf2eio/s72-c/Tomaz+de+Figueiredo+5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-1722893408239251992</id><published>2008-07-11T16:42:00.005+01:00</published><updated>2008-07-11T16:54:17.014+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Em Busca do Tempo Perdido'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='No Caminho de Swann'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marcel Proust'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Combray'/><title type='text'>Conhecer MARCEL PROUST</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHeBN1hc_6I/AAAAAAAAAcw/AZbxf5ktQxE/s1600-h/Marcel+Proust+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221784367665053602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHeBN1hc_6I/AAAAAAAAAcw/AZbxf5ktQxE/s400/Marcel+Proust+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Combray, de longe, por dez léguas em redor, vista do comboio quando chegávamos na semana anterior à Páscoa, não era mais que uma igreja que resumia a cidade, representava-a, falava dela e por ela às distâncias, e, quando nos aproximávamos, mantinha aconchegados em torno da sua grande capa sombria, em pleno campo, contra o vento, como uma pastora às suas ovelhas, os lombos lanosos e cinzentos das casas reunidas que um resto de muralhas da Idade Média cingia aqui e ali num traço tão perfeitamente circular como uma cidadezinha num quadro de primitivos. Para morar, Combray era um pouco triste, como eram tristes as suas ruas, cujas casas, edificadas com pedras escuras da região, precedidas de degraus exteriores e com seus telhados de beirais salientes que faziam sombra, eram tão escuras que, mal começava a declinar o dia, já era preciso erguer as cortinas nas “salas”; ruas de graves nomes de  santos (vários dos quais se ligavam à história doa primeiros senhores de Combray), Rua de Santo Hilário, Rua de S. Tiago, onde ficava a casa de minha tia, Rua de Santa Hildegarda, para onde davam as grades, e Rua do Espírito Santo, para onde se abria o portãozinho lateral do seu jardim; e essas ruas de Combray existem num local tão recôndito da minha memória, pintado a cores tão diferentes das que revestem agora para mim o mundo, que na verdade me parecem todas, bem como a igreja que as dominava na praça, ainda mais irreais que as projecções da lanterna mágica; e em certos momentos parece-me que poder atravessar ainda a Rua de Santo Hilário, poder alugar um quarto na Rua do Pássaro – a velha hospedaria do Pássaro Ferido, de cujos respiradouros saía um cheiro de cozinha que, intermitente e cálido, ainda sobe por momentos na minha memória – seria entrar em contacto com o Além de um modo mais maravilhosamente sobrenatural do que se me fosse dado conhecer Golo e conversar com Genoveva de Brabante.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Marcel Proust&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Em Busca do Tempo&lt;br /&gt;Perdido&lt;/em&gt; &lt;em&gt;1 &lt;/em&gt;– &lt;em&gt;No Caminho de Swann&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHeA-JJg3cI/AAAAAAAAAco/gCZsIBkJdjc/s1600-h/Em+Busca+do+Tempo+Perdido.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221784098055445954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHeA-JJg3cI/AAAAAAAAAco/gCZsIBkJdjc/s400/Em+Busca+do+Tempo+Perdido.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-1722893408239251992?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/1722893408239251992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=1722893408239251992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1722893408239251992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1722893408239251992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/07/conhecer-marcel-proust.html' title='Conhecer MARCEL PROUST'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHeBN1hc_6I/AAAAAAAAAcw/AZbxf5ktQxE/s72-c/Marcel+Proust+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5660856563753404266</id><published>2008-07-08T23:05:00.006+01:00</published><updated>2008-07-08T23:19:50.412+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio das Flores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel Sousa Tavares'/><title type='text'>Conhecer MIGUEL SOUSA TAVARES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHPllsmJlBI/AAAAAAAAAcI/HWtzTm7RSVw/s1600-h/Miguel+Sousa+Tavares+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220768828841628690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHPllsmJlBI/AAAAAAAAAcI/HWtzTm7RSVw/s400/Miguel+Sousa+Tavares+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;[…] Sabia que para poder estar ali, para ser parte consciente naquela guerra onde se defrontavam duas concepções irreconciliáveis de civilização e valores, era preciso dotar-se de uma carapaça de bestialidade humana que era o preço a pagar pelo triunfo de um mundo que, a seus olhos, era mais justo e mais humano. E sabia também que, do lado oposto, a crueldade era exactamente idêntica. […]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHPlGvEDMUI/AAAAAAAAAb4/qYPJhWXojwE/s1600-h/Rio+das+Flores.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220768296927965506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHPlGvEDMUI/AAAAAAAAAb4/qYPJhWXojwE/s400/Rio+das+Flores.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Há decisões que se tomam e que se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do destino, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente. Às vezes, são até estes golpes do destino que se substituem à nossa vontade paralisada, forçando a ruptura que temíamos, quebrando a segurança morta em que habitávamos e abrindo as portas do desconhecido de que fugíamos.&lt;br /&gt;[...]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;Miguel Sousa Tavares&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Rio das Flores&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5660856563753404266?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5660856563753404266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5660856563753404266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5660856563753404266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5660856563753404266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/07/conhecer-miguel-sousa-tavares.html' title='Conhecer MIGUEL SOUSA TAVARES'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SHPllsmJlBI/AAAAAAAAAcI/HWtzTm7RSVw/s72-c/Miguel+Sousa+Tavares+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-4315209732011435734</id><published>2008-06-26T22:49:00.006+01:00</published><updated>2008-06-26T23:04:54.054+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pearl S. Buck'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novo-rico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bigamia'/><title type='text'>Conhecer PEARL S. BUCK</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SGQP3DrAyDI/AAAAAAAAAaw/hXcE6YTe8yM/s1600-h/Pearl+S.+Buck.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216311706954811442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SGQP3DrAyDI/AAAAAAAAAaw/hXcE6YTe8yM/s400/Pearl+S.+Buck.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Pearl S. Buck&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Escritora norte-americana, &lt;strong&gt;Pearl&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;ydenstricker &lt;strong&gt;Buck&lt;/strong&gt; nasceu a 26 de Junho de 1892 (Faz hoje 116 anos), em Hillsboro, no estado da Virgínia Ocidental. Filha de um missionário protestante, passou a infância na China, onde se situa a acção de grande parte das suas obras.&lt;br /&gt;Em 1931, publica &lt;em&gt;The Good Earth&lt;/em&gt; (Terra Bendita) e ganha o Prémio Pulitzer. Em 1938, tornou-se a primeira mulher norte-americana a ser galardoada com o Prémio Nobel.&lt;br /&gt;Desiludida quanto à possibilidade de cooperação entre os povos, empenhou-se na luta pelos direitos das crianças asiáticas, muitas delas abandonadas e estigmatizadas por serem fruto de relações entre ocidentais e asiáticas.&lt;br /&gt;Faleceu a 6 de Março de 1973, em Danby, no estado do Vermont.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SGQPeRfWFBI/AAAAAAAAAao/N-XcpkbBF6Y/s1600-h/Terra+Bendita.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216311281167242258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SGQPeRfWFBI/AAAAAAAAAao/N-XcpkbBF6Y/s400/Terra+Bendita.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E dirigindo-se ao palanquim que os homens haviam deposto no chão, levantou a cortina e, fazendo estalar a língua, disse:&lt;br /&gt;- Sai, minha Flor de Lotus, aqui está a tua casa e o teu senhor.&lt;br /&gt;Wang Lung estava num suplício, porque via no rosto dos carregadores sorrisos irónicos, e pensou:&lt;br /&gt;- Ora! Estes sujeitos são uns vadios da cidade, gente desprezível e sem cotação.&lt;br /&gt;Indignou-se consigo mesmo por sentir a cara vermelha e escaldante e por isso resolveu calar-se.&lt;br /&gt;Então a cortina levantou-se e Wang Lung viu, sentada no interior da cadeirinha, pintada e fresca como um lírio, a jovem Lotus. Esqueceu tudo, até mesmo a sua cólera contra os maliciosos vadios da cidade, tudo menos que a tinha comprado para si e que ela vinha viver com ele para sempre. Ficou entorpecido, mas trémulo, vendo-a erguer-se, grácil como uma flor que ondula ao sopro do zéfiro. Depois, como ele a fitava absorto, Lotus tomou a mão de Cuckoo e desceu do palanquim, de cabeça inclinada e olhos baixos, caminhando a passos incertos e vacilantes, apoiada ao braço de Cuckoo. Passou diante dele sem lhe dizer palavra e perguntou a Cuckoo, com uma voz langorosa:&lt;br /&gt;- Onde é o meu quarto?&lt;br /&gt;Então a mulher do seu tio veio ampará-la do outro lado, e ambas a conduziram pelo pátio para os novos quartos que Wang Lung mandara construir.&lt;br /&gt;Mas ninguém da casa de Wang Lung a viu passar, porque ele mandara os criados e Ching trabalhar naquele dia para um campo afastado. O-lan tinha saído com os dois gémeos sem dizer para onde ia, os dois rapazes estavam na escola, o velho dormia encostado à parede sem ver e sem ouvir nada, e a tolinha não percebia quem entrava ou saía e só conhecia os rostos do pai e da mãe. Logo que Lotus entrou no quarto, Cuckoo cerrou as cortinas sobre ela.&lt;br /&gt;Após alguns momentos, a mulher do tio de Wang Lung voltou, com um malicioso, esfregando as mãos, como se quisesse sacudir alguma coisa.&lt;br /&gt;- Esta mulher pintada e perfumada – disse ela rindo – tresanda como se fosse uma coisa ruim. – Depois acrescentou com maior malícia: - Não é tão nova como aparenta, meu sobrinho! Estou mesmo em dizer que, se não estivesse à beira da idade em que os homens deixarão de olhar para ela, nem brincos de jade, nem anéis de ouro, nem vestidos de cetim e seda a teriam decidido a vir para casa de um lavrador, mesmo que fosse um lavrador rico.&lt;br /&gt;Mas vendo que Wang Lung se indignara ao ouvir linguagem tão franca, apressou-se a acrescentar:&lt;br /&gt;- Lá bonita é ela. Nunca vi outra mais bela e será deliciosa para ti como o arroz das oito pedras preciosas que servem nos banquetes, depois dos anos que passaste com a ossuda escrava da Casa de Hwang.&lt;br /&gt;Wang Lung não respondeu. Passeava, de um lado para o outro, pela casa, apurando o ouvido sem poder estar tranquilo. Por fim, não se conteve: levantou a cortina vermelha, atravessou o pátio que mandara construir para Lotus, e entrou na penumbra do quarto onde ela estava. Ficou junto dela todo o dia, até à noite.&lt;br /&gt;Durante todo esse tempo, O-lan conservou-se fora de casa. De madrugada, pegou numa enxada, chamou os filhos e saiu levando um pouco de comida fria, enrolada numa folha de couve; mas ainda não tinha regressado. Ao cair da noite, entrou em casa silenciosa, suja de terra e cansada, seguida pelos filhos, calados. Sem dizer palavra, foi para a cozinha, preparou a ceia e pô-la sobre a mesa como de costume, chamou o velho, meteu-lhe na mão os pauzinhos, deu de comer à tolinha e comeu alguma coisa com os filhos. Depois de deitar as crianças, como Wang Lung continuava sentado à mesa, a sonhar, levantou-se para se deitar e foi para o quarto, onde dormiu sozinha na sua cama.&lt;br /&gt;Então, Wang Lung pôde saciar, noite e dia, o seu amor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; […]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Pearl S. Buck&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Terra Bendita&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-4315209732011435734?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/4315209732011435734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=4315209732011435734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4315209732011435734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4315209732011435734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/06/conhecer-pearl-s-buck.html' title='Conhecer PEARL S. BUCK'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SGQP3DrAyDI/AAAAAAAAAaw/hXcE6YTe8yM/s72-c/Pearl+S.+Buck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-1460027277611548485</id><published>2008-06-14T23:16:00.006+01:00</published><updated>2008-06-14T23:25:38.216+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pico da Pedra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trasfega'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Açores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='S. Miguel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristóvão de Aguiar'/><title type='text'>Conhecer CRISTÓVÃO DE AGUIAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SFRFQY6-rYI/AAAAAAAAAaI/KtBygU8O9XM/s1600-h/Crist%C3%B3v%C3%A3o+de+Aguiar+(foto+de+Lu%C3%ADs+Monte)+2006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211866816644558210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SFRFQY6-rYI/AAAAAAAAAaI/KtBygU8O9XM/s400/Crist%C3%B3v%C3%A3o+de+Aguiar+(foto+de+Lu%C3%ADs+Monte)+2006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;[…] &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sabes, Fernando, o mal do mundo é a gente não se contentar com a nossa sorte. Feliz daquele que se conforma. Hás-de compreender que o mundo é todo igual, digo isto por experiência própria. Tantas vezes ouvi teu avô desonrando a nossa Ilha, que só a América era um mar de rosas. Então, dizia ele, na Primavera a América é linda. Teu pai na mesma, que excomungada Ilha esta, e levou a vida nesse fado batido. Agora que já conhece a terra da América digo-lhe: não sei como teu pai dizia que a Primavera aqui era um paraíso. E ele responde-me: “Este mundo é uma treta, é todo igual”. Agora o que ele mais deseja é regressar à Ilha, aos seus bocadinhos de distracção, à noite, no Canto da Fonte, na conversa com os amigos, às suas galinhas, pombas e coelhos. O que lhe repugna é a oficina, do mais sente tantas saudades, que qualquer dia, quando amealharmos um dinheirinho, a gente desapega-se daqui para fora. E eu também me sinto aqui um pouco aborrecida. Não quero com isto dizer que os ganhos não sejam bons, mas, se fôssemos fazer vida de &lt;em&gt;lóias&lt;/em&gt;, podes ficar sabendo que não se amanhava nada. Há aqui famílias que vieram das Ilhas que só têm dívidas e pouco mais. Querem automóveis de luxo, trocam-nos todos os anos, e ornamentos nas suas casas, mudam de mobília vezes sem conta e depois ficam admirados com as prestações que têm de pagar. Sabes muito bem que somos económicos, dispensamos certas tolices, por isso teu pai tem já o seu dinheiro fresco, no Banco, a render. Digo-te mais uma vez que o mundo é todo igual e bem tolo serás tu se daí saíres como andas a pensar. Quem nunca saísse do seu caminho, porque, na fim, o emigrante arranja uma doença séria: custa-se a sair de cá, tem saudades da sua Ilha, e vive neste balancé, sem saber muito bem o que quer e assim se acaba nesta inquietação.&lt;/span&gt; […]&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Cristóvão de Aguiar&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, Trasfega &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SFRD4yXV00I/AAAAAAAAAaA/F9WPxXf5XOs/s1600-h/Trasfega.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211865311645913922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SFRD4yXV00I/AAAAAAAAAaA/F9WPxXf5XOs/s400/Trasfega.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-1460027277611548485?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/1460027277611548485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=1460027277611548485' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1460027277611548485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/1460027277611548485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/06/conhecer-cristvo-de-aguiar.html' title='Conhecer CRISTÓVÃO DE AGUIAR'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SFRFQY6-rYI/AAAAAAAAAaI/KtBygU8O9XM/s72-c/Crist%C3%B3v%C3%A3o+de+Aguiar+(foto+de+Lu%C3%ADs+Monte)+2006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-7201253926076191304</id><published>2008-06-10T16:13:00.004+01:00</published><updated>2008-06-10T16:29:46.187+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor açoriano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carlos Tomé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Açores'/><title type='text'>Conhecer CARLOS TOMÉ</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SE6cOaPWh_I/AAAAAAAAAYw/cYge-quMN48/s1600-h/Carlos+Tom%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210273590290057202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SE6cOaPWh_I/AAAAAAAAAYw/cYge-quMN48/s400/Carlos+Tom%C3%A9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A SESSÃO SECRETA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;*********************&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O casal abranda o passo. Ela mantém-se meio encolhida, cosida ao corpo dele, como se procurasse protecção. Ele observa, sob o ombro, esquadrinhando os recantos mais escuros da rua, já de si mal iluminada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois param à porta de uma casa sem mais sinais de vida interior do que uma ténue luz numa janela do piso superior. São dez da noite, em ponto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o punho fechado, ele bate duas vezes, faz uma pausa, dá mais duas batidas, faz nova pausa e bate mais uma vez. É, obviamente, um código.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A porta abre-se, de imediato, e os dois entram rapidamente. Dentro está um outro casal, que sem uma palavra os precede pelo interior da casa. Deduz-se, pelo caminhar decidido dos quatro, que aquele trajecto já foi feito muitas vezes. Dirigem-se ao que aparenta ser um quarto de arrumações. Pouco mais tem do que uma mesa, algumas cadeiras e uma pequena cama de estilo militar. A falta de janelas e a fraca iluminação conferem-lhe um ar claustrofóbico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez chegados, a porta é fechada à chave. O anfitrião dirige-se a um monitor de televisão, liga-o e certifica-se de que a imagem está a chegar em boas condições. Dá-se por satisfeito ao ver, no ecrã, a entrada da própria casa e um pedaço de rua, onde agora se vê passar um cão vadio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tudo em ordem – diz ele, baixinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os quatro cumprimentam-se, então, trocando abraços, beijos e saudações no mesmo tom de voz baixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Como estão vocês? A tua tosse já passou? E as crianças, estão de saúde?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os quatro conversam agora, animados, mas discretamente, sem nunca elevarem as vozes mais do que em tempos distantes se utilizava nos confessionários. Estão calmos e descontraídos, apesar dos olhares que vão deitando ao monitor da câmara instalada sobre a porta da rua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O anfitrião serve bebidas. Os quatro vão beberricando nos intervalos da conversa, que flui quase só acerca de banalidades do quotidiano de cada um. Um observador, por mais desatento, depressa notaria que são muito amigos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando as bebidas terminam, o anfitrião dirige-se à cama e anuncia: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vamos lá, então!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De baixo do colchão, tira uma pequena caixa, que trata com tal cuidado que dir-se-ia recear quebrá-la. Os quatro sentam-se à mesa, com indisfarçado entusiasmo. Uma das mulheres adianta-se, abre a caixa e exibe, com um sorriso, um velho baralho de cartas. Tão velho que falta um canto ao sete de paus e há uma nódoa negra no valete de ouros, pelo que são facilmente identificáveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas é o que resta aos quatro. Uma relíquia do princípio deste século, guardada no dia em que as autoridades decidiram proibir e mandar destruir todos os baralhos de cartas, considerados antipedagógicos, transmissores de doenças e, por isso, socialmente inaceitáveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde esse triste dia 1 de Janeiro de 2005, já lá vão onze anos, a caça feroz aos baralhos de cartas tem levado muita gente à barra dos tribunais e à vergonha de ser apontada como disseminadora de doenças e socialmente desprezível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em substituição dos baralhos, foi fomentada e, até, subsidiada a aquisição de consolas electrónicas com os mais populares jogos, desde a plebeia “sueca” até à sofisticada “canasta”, sem esquecer, claro, o “vinte-e-um”, o “king”, o “solitário” e muitos outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas quem consegue jogar “bridge” numa consola? Onde está o gozo táctil do cartear? Como fazer aquele estalido sacaninha com a carta, só para vincar superioridade e irritar ainda mais os adversários?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No quarto, Norte abre:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Um pau!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois casais são resistentes. Inveterados jogadores de “bridge”, há quase sete anos vêm fazendo estas sessões secretas, mesmo sabendo que podem ser descobertos pela temível BPC, a Brigada do Politicamente Correcto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O risco é grande, mas o apego ao “bridge” ainda é maior. Tão superior que, aos quatro, o que mais preocupa é o facto do baralho estar a ficar cada dia mais estragado. Ao ponto de também já se começar a notar falhas no rei de copas. O que é grave.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Carlos Tomé&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;A Noite dos Prodígios e outras histórias&lt;/em&gt;,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Salamandra (2002)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SE6bXpKERKI/AAAAAAAAAYo/EWBeqJ8zPA4/s1600-h/A+Noite+dos+Prod%C3%ADgios.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210272649401615522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SE6bXpKERKI/AAAAAAAAAYo/EWBeqJ8zPA4/s400/A+Noite+dos+Prod%C3%ADgios.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-7201253926076191304?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/7201253926076191304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=7201253926076191304' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7201253926076191304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7201253926076191304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/06/conhecer-carlos-tom.html' title='Conhecer CARLOS TOMÉ'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SE6cOaPWh_I/AAAAAAAAAYw/cYge-quMN48/s72-c/Carlos+Tom%C3%A9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-4315856829989424511</id><published>2008-06-04T22:32:00.006+01:00</published><updated>2008-06-10T16:34:51.738+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuel Poppe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Um Inverno em Marraquexe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conhecer MANUEL POPPE 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcYmDPfnDI/AAAAAAAAAX4/-2CzgyfKFBU/s1600-h/Manuel+Poppe+6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208158536061656114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcYmDPfnDI/AAAAAAAAAX4/-2CzgyfKFBU/s400/Manuel+Poppe+6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;COM AS MÃOS ATADAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:130%;"&gt;**************************&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Marta!&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Alguém chamava, lá dentro. Não respondeu, mergulhada na vista da janela que abria para o vale. Compôs o cabelo, que se lhe enredou nos dedos. Pousou as mãos no regaço e deixou-se ficar, recostada na cadeira de baloiço, inerte, esquecida, indiferente. Não queria pensar. A neblina, a soltar-se da terra, dos casais, das hortas, cobria quase tudo. Pouco distinguia, a não ser as luzes que se acendiam, aqui e ali. O ruído era o das crianças, que corriam no jardim, das amigas que as vigiavam, das criadas, na cozinha, muito longe. Nem ela sabia, nem ouvia. Só queria aquele momento roubado e o campo sem fim. A luz crepuscular, doce, rosa dentro da bruma, leve, imponderável, livre, enquanto casas, árvores, volumes escureciam, recuperavam a forma e, depois, se iam perdendo, com o chegar da noite.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “O vestido…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Qual vestido? E sorriu: o vestido de popelina da mesma cor, que o pai lhe oferecera, em criança? Há tantos anos! Em plena adolescência, quando corria por aqueles atalhos, subia às árvores e arranhava as pernas, nas roseiras bravas, se deitava no chão, a admirar as estrelas cadentes de Agosto, e ninguém a encontrava, à procura dela e ela a esconder-se? Sozinha, a cantar baixinho, “meu amor é marinheiro”, “da minha janela à tua…” E de repente tinha medo e punha-se a tremer. Dominava-se e começava a andar devagarinho, entre as sombras e as pedras, de volta à casa. “Uh!”, gritava, a assustar os que a buscavam, ao esbarrar com eles. E ria, aliviada. Voltava a casa murcha, impaciente consigo por ceder. Ela é que fora ter com eles.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “Sempre…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Então, as suas pernas eram duras e o corpo não lhe pesava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A miúda surgira de repente e espreitava-a, a medo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá… - repetiu, mas logo desatou a fugir, com a outra que se encostara à ombreira da porta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Doeram-lhe as gargalhadas, que não sabia se eram de troça ou brincadeira. Inclinou-se e tentou ver-se nos vidros da janela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “Cara de pau…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Passou as mãos pelo rosto, a seguir as linhas das rugas, a palpar a pele seca.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “O creme… Apanho muito sol…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O sorriso amargo vincou-lhe os traços. E ironizou: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “Nem as crianças me querem! Estou velha!... Velha aos sessenta anos?”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Filhos? Netos? Estavam lá dentro, falavam, gritavam, divertiam-se. Longe. O marido? Cansara-se dela e ela cansara-se dele. Podia vir, que não diria nada, mesmo que falasse. Respeitava-o? Respeitava as pessoas. Por aí não vinha mal ao mundo. Nenhum mal. Talvez fosse pior: não havia nada. Cansara-se de o seguir, talvez se tivesse cansado de os seguir a todos, fartara-se. E não se assustou com o pensamento: porquê? Que acontecera ao entusiasmo, a quanto dera? Aceitara-os de olhos fechados, entregara-se-lhes. Sacrificara-se. Ao princípio não se queixara. Parecia-lhe natural e era natural, porque as coisas aconteciam intensamente. Ardentemente. O seu corpo vibrara. Mas, pouco a pouco, por isto, por aquilo, esmorecera. E, agora, desistira? Ou não soubera querer, sempre o medo, a angústia, que disfarçava mas nunca vencera. Não se queixava, amara-os. Continuava a amá-los. Hoje, porém, as coisas tinham mudado: o medo transformara-se em angústia, que a oprimia. Tinha de a enxotar. A angústia dava cabo dela. Pouco a pouco, todos os dias, e sentia-o, fugiam-lhe as forças, sufocava. Reagia aos arranques, numa espécie de estertor. Não queria desprezar-se; não podia. E, no entanto, sabia, claramente, que nunca fora dona de si própria e queria sê-lo, ao menos uma vez. Um dia! Mas teimava em viver ali.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “O tempo…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sim, o tempo, que roía, que degradava, que tudo atirava por terra. E não se mexeu. Escurecia. Não valia a pena acender a luz. Entretinha-se com as que brilhavam, intermitentes, lá fora. Levantara-se uma brisa muito leve, que refrescava. Envolveu-se no xaile de lã, que trazia aos ombros.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “É o fim do verão…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Caiu na modorra, acordava e adormecia, nunca adormecia. E, de repente, a paisagem andou vinte anos para trás. Já não era o vale, nem casais, nem hortas, que via. Reconheceu a montanha onde se perdera. Os cimos ainda cobertos de neve, as abas, cortadas a pique, o silêncio. Era outro Setembro e visitara, em grupo, o Norte de Espanha. Naquela manhã, durante o passeio, insensivelmente, fora deixando os companheiros para trás e viera ali parar, não sabia onde. Que importava? E repetiu-se o que a imobilizara: o susto, o vazio, a vertigem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O coração, aos saltos, parecia que ia rebentar. E os olhos fixaram a águia, que girava devagarinho, muito longe. Esquecera tudo. As únicas referências eram as escarpas e a águia, presa do azul gelado do céu. Não fazia nenhum esforço para se lembrar, para compreender. O que fazia ali não lhe interessava. Tinha medo de saber. Ninguém devia saber. Era livre. Os outros não existiam. Não podiam travá-la ou ensinar-lhe o caminho. Ficou quieta, à espera. Sorriu à neve imaculada. Não queria pisá-la. Lembrava-se de haver visitado umas grutas, atravessadas por um riacho e com o tecto repleto de estalactites.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “Se lhes tocar, morrem. Não crescem mais…” – explicara o guia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E pensou que, se continuasse a andar, aconteceria a mesma coisa: aquele momento morreria. Não queria voltar atrás. Era ela. E abandonou-se à vertigem, ao arrepio que a atravessou, lhe desceu dentro, a fez estremecer, gozar a própria solidão. As fontes latejavam-lhe, sentiu os seios crescerem, rijos, o corpo tenso, os lábios entumecidos. Ia morrer? Não aguentava mais? E se morresse? Que importância tinha? Nunca o que viesse depois seria aquilo. Respirou fundo, encheu o peito, desafiou a neve, as montanhas, a águia impassível, lá no alto. Não tinha medo: nada poderia dobrá-la. Ah! Guardar a plenitude! Para sempre!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- “Marta!”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Chamavam por ela? Voltavam a casa? Acordou, sobressaltada, e ficou a escutar. Sim, outra vez, as vozes… Cerrou os punhos. Hirta, apertou os dentes. Não os queria! Mas eles falavam, riam, aproximavam-se, ouvia-lhes os passos no corredor. Rezou baixinho, a pedir que não entrassem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;Manuel Poppe&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; “Um Inverno em Marraquexe”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-4315856829989424511?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/4315856829989424511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=4315856829989424511' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4315856829989424511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4315856829989424511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/06/conhecer-manuel-poppe-2.html' title='Conhecer MANUEL POPPE 2'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcYmDPfnDI/AAAAAAAAAX4/-2CzgyfKFBU/s72-c/Manuel+Poppe+6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-6501915832897289995</id><published>2008-06-03T22:09:00.005+01:00</published><updated>2008-06-03T22:31:34.973+01:00</updated><title type='text'>Conhecer JOHN STEINBECK</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Um homem tem de ter qualquer coisa a que se ligue, qualquer coisa que ele possa estar certo de encontrar lá de manhã.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEWzYZm453I/AAAAAAAAAXA/7LxsGdgU-Jg/s1600-h/John+Steinbeck.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207765775896078194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEWzYZm453I/AAAAAAAAAXA/7LxsGdgU-Jg/s400/John+Steinbeck.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Costumo reler os livros de que gosto várias vezes. De cada vez que o faço, descubro coisas que, antes, me tinham escapado. A evolução contínua a que estamos sujeitos alarga os nossos horizontes e, de cada vez que lemos, somos sempre um novo leitor com uma nova interpretação da obra. Por isso, um bom livro é uma fonte inesgotável de sabedoria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acabei de ler, pela enésima vez, o “A Um Deus Desconhecido”, do John Steinbeck. Nunca, como agora, compreendi a força de Joseph Wayne e o seu amor desmedido pela terra. Uma terra dependente da chuva, como ele da própria terra. E de como essa telúrica e trágica dependência o transformou num ser solitário e sofredor. A chuva e a terra, fontes de vida que, por vezes, negam essa vida, lançam, irremediavelmente, o homem impotente na prática de ritos propiciadores da abundância desejada. Simples superstição desesperada ou necessidade de comunicação com as forças ocultas que controlam o nosso destino? Talvez reminiscências de uma época remota, onde o maravilhoso fazia parte do quotidiano das pessoas, e que se perdeu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEWzMWkJIyI/AAAAAAAAAW4/nba17gX1b48/s1600-h/A+Um+Deus+Desconhecido+(2).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207765568920822562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEWzMWkJIyI/AAAAAAAAAW4/nba17gX1b48/s400/A+Um+Deus+Desconhecido+(2).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Rama continuou: “Não se há homens nascidos fora da humanidade, ou se alguns homens são tão humanos que façam os outros parecer irreais. Quem sabe se um deus em miniatura vive na Terra de vez em quando? Joseph tem uma força inquebrantável; tem a calma das montanhas, e as suas emoções são tão primitivas, tão ferozes, tão súbitas, como o relâmpago – e, até onde posso ver ou saber, exactamente tão falhas de razão como ele. Quando estiver afastada de Joseph, tente pensar nele e verá o que eu quero dizer. A figura dele tornar-se-á gigantesca, até ultrapassar as montanhas; e a sua força será como o mergulho irresistível do vento. Benjy morreu. É impossível pensar que Joseph morra. Ele é eterno. O pai morreu, mas não foi uma morte.” A boca de Rama movia-se impotente em busca de palavras. Gritou, como ferida duma dor súbita: “Digo-lhe eu, esse homem não é um homem, a menos que seja todos os homens. A força, a resistência, o raciocinar lento e laborioso de todos os homens, e toda a alegria e sofrimento, aniquilando-se mutuamente, mas permanecendo no resíduo final. Ele é tudo isto: o repositório duma pequena parte da alma de cada homem e, ainda mais, um símbolo da alma da Terra. &lt;/em&gt;[…] &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Elizabeth &lt;/em&gt;[…]&lt;em&gt; não queria olhar para Rama. “Você ama o meu marido”, disse numa voz sumida, acusadora. “Você ama-o e sente receio.”Rama levantou os olhos lentamente; voltou a baixá-los. “Não o amo. Não há qualquer possibilidade de ser correspondida. Adoro-o; não há necessidade de ser correspondida nisso. E você adorá-lo-á, igualmente sem nenhuma recompensa. Agora já sabe, e não tem motivo para receios.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-6501915832897289995?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/6501915832897289995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=6501915832897289995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/6501915832897289995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/6501915832897289995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/06/conhecer-john-steinbeck.html' title='Conhecer JOHN STEINBECK'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEWzYZm453I/AAAAAAAAAXA/7LxsGdgU-Jg/s72-c/John+Steinbeck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-6534323579320832003</id><published>2008-05-22T12:08:00.006+01:00</published><updated>2008-05-22T12:31:10.891+01:00</updated><title type='text'>Conhecer ANTÓNIO RAMOS ROSA e MANUEL MADEIRA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Cartas poéticas entre António Ramos Rosa e Manuel Madeira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVVN6HSzcI/AAAAAAAAASY/fzPPk58zG2w/s1600-h/Ramos+Rosa+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203158641922985410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVVN6HSzcI/AAAAAAAAASY/fzPPk58zG2w/s400/Ramos+Rosa+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Nona carta a M.M.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;**********************&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No nosso tempo havia cegos e surdos que falavam&lt;br /&gt;e nos queriam cegar e ensurdecer.&lt;br /&gt;Mas nós mantínhamos nos pulsos a tensão vertical&lt;br /&gt;de um fogo verde de uma outra vida.&lt;br /&gt;Era um horizonte de palavras novas, de árvores reverentes.&lt;br /&gt;Escrevíamos panfletos que às vezes nos fugiam dos bolsos&lt;br /&gt;em revoadas que se confundiam com as aves.&lt;br /&gt;Acampávamos em pinhais, cantávamos e dançávamos,&lt;br /&gt;saudando o sol de um novo dia&lt;br /&gt;e às vezes a polícia surpreendia-nos&lt;br /&gt;com as metralhadoras aperradas contra nós.&lt;br /&gt;Devorámos livros proibidos apaixonadamente&lt;br /&gt;reunidos em exíguos quartos ou solitariamente.&lt;br /&gt;Não importa se muitos se enganavam adorando um déspota como &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;um deus,&lt;br /&gt;porque a verdade estava na sua oposição&lt;br /&gt;à tirania que nos roubava o sol,&lt;br /&gt;a liberdade e a justiça da palavra viva.&lt;br /&gt;Vivemos duramente com obstinada paixão&lt;br /&gt;mas vivíamos solidários e lúcidos na sombra&lt;br /&gt;e a fraternidade era a nossa força e o prémio da nossa luta.&lt;br /&gt;Vencemos finalmente, mas a madrugada da nossa liberdade&lt;br /&gt;foi apenas um momento. O que se seguiu depois&lt;br /&gt;é um sistema que não sabemos como combater&lt;br /&gt;porque a sua teia é anónima, de uma violência esparsa&lt;br /&gt;que nos impede a defrontação&lt;br /&gt;com os seus disfarces e os seus estratagemas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVU-aHSzbI/AAAAAAAAASQ/8MrIHAPEPPU/s1600-h/Cartas+po%C3%A9ticas+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203158375635013042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVU-aHSzbI/AAAAAAAAASQ/8MrIHAPEPPU/s400/Cartas+po%C3%A9ticas+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Nona carta a A.R.R.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;***********************&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era um tempo medonho que nos apertava os pulsos e tolhia os&lt;br /&gt;          movimentos&lt;br /&gt;mas simultaneamente amadurecia em nós uma ânsia de revolta&lt;br /&gt;que nos agitava em todos os momentos&lt;br /&gt;Os livros chegavam por invisíveis correios&lt;br /&gt;e eram escondidos debaixo do colchão&lt;br /&gt;ou enterrados dentro de caixas entre cepas no quintal&lt;br /&gt;para que nem as formigas sonhassem&lt;br /&gt;que ali palpitava um sopro de liberdade&lt;br /&gt;Respirávamos aperreados entre a pistola e a hóstia&lt;br /&gt;e o sol entrava varado em quadradinhos pelas secretas frinchas do&lt;br /&gt;          Aljube e de Caxias&lt;br /&gt;Mas dentro de nós habitava um insubmisso grilo&lt;br /&gt;que fazia das trevas um violino louco estilhaçando os arcos do&lt;br /&gt;          silêncio&lt;br /&gt;Nas clareiras abertas em florestas fechadas&lt;br /&gt;dávamo-nos as mãos cantávamos e dançávamos&lt;br /&gt;e o amor entrava-nos no coração&lt;br /&gt;trazido na ternura dos olhos de mocinhas flexíveis de verdes cinturas&lt;br /&gt;oscilando ao ritmo dos sonhos comuns&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a liberdade conquistada a pulso&lt;br /&gt;finalmente livre esconde em si as grades&lt;br /&gt; que não distinguimos e em que tropeçamos&lt;br /&gt;como se vivêssemos de olhos nublados&lt;br /&gt;O sublime desejo de felicidade fraterna vivida em plenitude&lt;br /&gt;nos espaços abertos da natureza viva nos campos floridos no ouro&lt;br /&gt;          das areias abraçando o mar&lt;br /&gt;é substituído pela crença impura nas falsas virtudes&lt;br /&gt;do consumo selvagem em favos de cimento&lt;br /&gt;A fuga possível é para o mundo recôndito da imaginação&lt;br /&gt;que talvez dê frutos noutra encarnação…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVUuaHSzaI/AAAAAAAAASI/N7DaunlQWsQ/s1600-h/Manuel+Madeira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203158100757106082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVUuaHSzaI/AAAAAAAAASI/N7DaunlQWsQ/s400/Manuel+Madeira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-6534323579320832003?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/6534323579320832003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=6534323579320832003' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/6534323579320832003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/6534323579320832003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/conhecer-antnio-ramos-rosa-e-manuel.html' title='Conhecer ANTÓNIO RAMOS ROSA e MANUEL MADEIRA'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDVVN6HSzcI/AAAAAAAAASY/fzPPk58zG2w/s72-c/Ramos+Rosa+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-6685280367978040023</id><published>2008-05-19T22:15:00.007+01:00</published><updated>2008-05-19T23:30:33.713+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Cardoso Pires'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lavagante'/><title type='text'>Conhecer JOSÉ CARDOSO PIRES</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;LAVAGANTE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(...) &lt;em&gt;"Sei o que joguei, meu amor", lê-se, entre outras coisas, numa carta escrita há uma semana por Cecília. "Mas eu não podia suportar por mais tempo a ideia de estares fechado numa prisão, tu que tanto gostas de viver&lt;/em&gt; (...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDHv3slYjWI/AAAAAAAAAQ4/KQDMKis_s7U/s1600-h/Jos%C3%A9+Cardoso+Pires+2A.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202202784729435490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDHv3slYjWI/AAAAAAAAAQ4/KQDMKis_s7U/s400/Jos%C3%A9+Cardoso+Pires+2A.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;A história do amor do médico Daniel Lobo e de Cecília, numa época da nossa História em que nem o amor era livre. Os "Sapos" poderosos usavam a cadeia e a chantagem para servir os seus mais obscuros interesses. Uma história contada, magistralmente, pelo autor a partir da conversa de dois homens no alpendre duma casa junto ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é inédito e foi publicado, com o apoio da Mulher e das Filhas do autor, no ano em que decorre o 10º aniversário da morte de José Cardoso Pires, que ocorreu a 26 de Outubro de 1998.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDHvDMlYjVI/AAAAAAAAAQw/sstgf7qZxWM/s1600-h/Lavagante.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202201882786303314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDHvDMlYjVI/AAAAAAAAAQw/sstgf7qZxWM/s400/Lavagante.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-6685280367978040023?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/6685280367978040023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=6685280367978040023' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/6685280367978040023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/6685280367978040023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/conhecer-jos-cardoso-pires.html' title='Conhecer JOSÉ CARDOSO PIRES'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SDHv3slYjWI/AAAAAAAAAQ4/KQDMKis_s7U/s72-c/Jos%C3%A9+Cardoso+Pires+2A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-4237629440561842238</id><published>2008-05-17T21:48:00.004+01:00</published><updated>2008-05-17T22:10:14.486+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Sala Magenta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mário de Carvalho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lagoa Moura'/><title type='text'>Conhecer MÁRIO DE CARVALHO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SC9FRslYjBI/AAAAAAAAAOQ/JeObUGLn4tE/s1600-h/M%C3%A1rio+de+Carvalho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201452264964262930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SC9FRslYjBI/AAAAAAAAAOQ/JeObUGLn4tE/s400/M%C3%A1rio+de+Carvalho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mário de Carvalho&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A SALA MAGENTA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;*********************&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Que queria Maria Alfreda de Gustavo? Talvez pouco mais do que um amante que lhe ia preenchendo algumas noites, com demonstrações compósitas de lucidez e de ingenuidade e derivava para o mundo do cinema, para o mistério das formas, para os labirintos da imaginação. Que queria Gustavo de Maria Alfreda? Que ela, enfim, parasse, que o escolhesse de vez, contra um passado preenchido por outras presenças, que supunha quase todas cativantes ou perturbadoras, e também contra um presente desassossegado de interrupções, instabilidade, devassas, sinais de alerta e de perigo. Gustavo tinha de reconhecer – teve de lhe dizer – que a amava, muito a contragosto, como alguém que se submete, num supremo despojamento, esperando em troca paz e gasalho. Maria Alfreda nunca retribuiu a declaração, apenas a recebeu, com sinais de pensativa benevolência que não anularam em Gustavo uma acabrunhada sensação de derrota, antes acentuaram o mau passo de ter dito o que não devia.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;******* &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Era um realizador de cinema de um pequeno país, com uma minúscula filmografia,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt; pouco dinheiro, falta de adestramento, soluções de continuidade nas experiências e nas carreiras. Era um cinema “cozido à linha”,[…&lt;/em&gt;].&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SC9FCMlYjAI/AAAAAAAAAOI/CJ9pVnlPm6Y/s1600-h/A+Sala+Magenta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201451998676290562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SC9FCMlYjAI/AAAAAAAAAOI/CJ9pVnlPm6Y/s400/A+Sala+Magenta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Gustavo Miguel Dias, cineasta ou realizador de cinema (como preferia), é vítima de um assalto, que o obriga a mudar-se para a casa da irmã, Marta, na aldeia de Grodemil, junto da Lagoa Moura, com a sua “perna engessada e um par de canadianas emprestadas”.&lt;br /&gt;O retiro forçado proporciona-lhe a retrospectiva da sua vida profissional e afectiva.&lt;br /&gt;É constantemente assaltado pela memória do seu relacionamento com Maria Alfreda, que o usou de forma cruel, sem nunca se entregar verdadeiramente, fazendo com que, ainda agora, se sinta desprezado, magoado e humilhado. Maria Alfreda traiu-o, deixou-o e, soube-o mais tarde por um amigo, morreu. Mas ele continua a sofrer e, também, a lembrar a sala magenta, em cujo chão faziam amor, conversavam, trocavam confidências, enquanto a brisa ondulava os cortinados e fazia tilintar um espanta-espíritos. A &lt;em&gt;sala magenta que o atraía e lhe anulava o ânimo como o antro duma feiticeira&lt;/em&gt;, onde uma pequena pistola prateada adornava a papeleira de tampo cilíndrico, intrigando-o pelas interrogações que lhe suscitava.&lt;br /&gt;A par deste amor que o seduz e não o satisfaz, tem algumas aventuras que lhe causam uma certa náusea, mas a que não consegue dizer não. Só fracassos!...&lt;br /&gt;Como realizador, sente que não fez nada de fundamental, de novo. Agora, todos lhe viram as costas. Esquecem-se dele, inventam desculpas enquanto promovem jovens inexperientes. Sente-se incapaz de novos projectos e compreende que, também aqui, fracassou. É, portanto, um fracassado sem futuro.&lt;br /&gt;E Marta? Uma mulher sensível, delicada (ao ponto de, para não magoar o irmão, lhe dar cinquenta euros que diz, mentindo, ter encontrado num bolso das calças dele), capaz de grande respeito pelos outros, sofredora em silêncio e em privado. Foi abandonada pelo marido e o filho, Cláudio, engana-a, fingindo continuar os estudos mas enveredando por uma vida no submundo nocturno de Lisboa.&lt;br /&gt;Gustavo, que a si próprio se considera &lt;em&gt;um cínico egoísta viciado em exibições de insensibilidade&lt;/em&gt;, começa a ser sensível à presença e aos problemas da irmã, ao mesmo tempo que repousa, tranquilo, no cuidado e protecção que ela lhe dá: &lt;em&gt;a ingenuidade protectora de Marta, àquela hora da noite, fazia renascer uma sensação de conchego que ia impregnando o todo em volta, devagar, como uma névoa benigna tombando.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas o sentimento de fracasso é tão forte que, ao invés de aceitar uma vida calma ao lado da irmã como eu previa e desejava, se precipita na Lagoa Moura, numa noite em que ela se ausenta, pensando que &lt;em&gt;a única maneira de escapar ao terror era entrar nele&lt;/em&gt;. Arrepende-se e conseguem salvá-lo, voltando para os braços da irmã que trata dele. Aqui a acção suspende-se. Talvez para que um dia, mais tarde, Mário de Carvalho possa continuar a história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-4237629440561842238?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/4237629440561842238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=4237629440561842238' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4237629440561842238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/4237629440561842238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/conhecer-mrio-de-carvalho.html' title='Conhecer MÁRIO DE CARVALHO'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SC9FRslYjBI/AAAAAAAAAOQ/JeObUGLn4tE/s72-c/M%C3%A1rio+de+Carvalho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5330042159630488857</id><published>2008-05-09T19:50:00.009+01:00</published><updated>2008-06-04T23:32:57.157+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuel Poppe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Um Inverno em Marraquexe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Acácia Vermelha'/><title type='text'>Conhecer MANUEL POPPE 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcWhgXLnrI/AAAAAAAAAXw/gN5-MIPIb5Y/s1600-h/Manuel+Poppe+7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208156258955927218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcWhgXLnrI/AAAAAAAAAXw/gN5-MIPIb5Y/s400/Manuel+Poppe+7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;A Acácia Vermelha&lt;br /&gt;************************&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;Foi por pouco tempo. Um mês. Lembro-me de quando me apareceu, a rir-se, à procura de trabalho. Eu viera contratado para verificar as condutas de água que abasteciam a capital. Era um país do golfo da Guiné, muito pobre e com dificuldade em organizar-se depois da independência. Perguntei-lhe:&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que é que sabes fazer?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tudo – respondeu-me, às voltas com o corpo, que balanceava, livre, as mãos agarradas à boca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Como é que te chamas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ednilza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acertámos o preço e ficou a trabalhar em minha casa. Chegava às seis da manhã – todos se levantavam cedo – e ia-se embora ao pôr-do-sol, quando eu a levava no jeep, carregado de sacos, os restos do dia. Atravessávamos a cidade às escuras e subíamos uma rua íngreme de terra batida, onde havia pequeninas bancas, iluminadas por candeias improvisadas, de lata.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É ali – dizia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E entrávamos no atalho. Ficava a dizer-me adeus, junto às escadas que davam para o único andar da casa de madeira assente em barrotes e com um telhado de zinco amolgado. Era um vulto, no meio do mato, com o vestido branco e o lenço amarelo. Os coqueiros agitavam-se, em volta, e luzes brilhavam, por detrás das cortinas de pano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, apareceu-me com a irmã e uma sobrinha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O doutor não precisa?... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por que não? A vivenda que eu alugara era grande, quartos amplos, abertos sobre um jardim com mangueiras, bananeiras, goiabeiras, e eu gostava de a sentir habitada, a ouvir o mar, em frente. Mas foi sempre ela quem me serviu e reservou isso para si, a preocupação com a minha saúde, com o meu bem-estar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez, disse-me: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O doutor não gosta de mim… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O quê? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela era a hora em que eu costumava sentar-me, na varanda, a olhar para o jardim e a ver cair a noite. O crepúsculo chegava devagarinho, as mangueiras escureciam, com a folhagem densa, a caramboleira deixava o dourado dos frutos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Gosta de mim? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Claro que gosto! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca tinha pensado nisso. Agarrei-lhe a mão húmida e puxei-a. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não acreditas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela deixou-se estar e, depois, libertou-se. Ficou parada, entre cá e lá, encostada à balaustrada, com as pernas cruzadas. Demorou. Não tirava os olhos de mim. Era muito forte o olhar e desviei o meu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passaram os dias. Até que aconteceu. Tinha ido ao sul da ilha e voltei tarde, já de noite. Vi-a enforcada, presa de um braço de mangueira. Chamei os polícias, que a levaram, um corpinho exil, com as pernas esticadas e o peito rígido a levantar-lhe a camisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em frente do escritório da minha casa, havia uma acácia vermelha, que floriu, nessa altura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu vi-a, julgava vê-la passar, por debaixo da árvore. Às vezes, parecia que se virava para a janela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tão elegante… - pensava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha cozinheira apanhou-me assim e desabafou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nunca lhe contaram? Ela foi uma infeliz. Andou, sem eira nem beira, desde que nasceu! O pai? Não quis saber dela, tinha mais filhos e outras mulheres. A mãe? Aguentou, enquanto pôde. Também tinha outros. Não sabe como é? Ela é que foi à vida. Aprendeu depressa. Mas isso era o menos. O pior era o resto. Nunca os viu? O que é que o doutor andou cá a fazer? Só as minas? Só a casa? Os criados? Nós!... A varanda? Nunca os viu, os brancos, que voltaram, a pagar, a pagar! A enchê-las de roupas, e a aproveitarem-se. A comprarem. Não as deitam fora. Têm dinheiro: usam-nas e até as protegem. Dão-lhes de comer. Depois, esquecem. Elas é que sofrem. Ela é que sofreu. A sua! Passou de mão em mão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A raiva sufocava-a. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Compraram tudo… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ela? Qual? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A que o doutor não quis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E troçou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O doutor andou sempre distraído… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sabia responder-lhe. A verdade é que não tinha querido nada. Viera por pouco tempo. Percebera depressa que aquilo era um pântano, lama a sujar a beleza da ilha. O hotel, a cair de podre, o bar do Alípio, com o gerador que dava cabo dos ouvidos, os mosquitos e aquela gente, que dizia que ajudava e sugava, grosseira, agressiva. Ainda hoje, passados tantos anos, os vejo: suados, as camisas abertas, a encostarem-se uns aos outros. E, de repente, levantavam-se, metiam-se nos carros, e iam desenfreados, pelas escadas esburacadas, até se cansarem e se abraçarem e rebolarem nas praias. Pensei, sempre, que estavam a mais, que nunca viram nada. Contaram-me coisas, a tentarem envolver-me. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Na despedida do Bidarra, tiraram-lhe a língua para fora. Estava tudo bêbado! O “macaco” pendurou-se do candeeiro! Felizmente, agarraram-no a tempo… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu conhecia o “macaco”: era um mestiço, que a colónia europeia tolerava. Quando nos cruzávamos, eu desviava os olhos: custava-me o seu ressentimento, o desespero de andar na cola dos brancos. Diziam que era filho de um roceiro, que o empregara como capataz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quantas vezes fugira daquele mundo infectado e me refugiara na vivenda! Onde a encontrava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O doutor já tomou o remédio? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram as pílulas para a malária, trazia-mas num tabuleiro leve, quase uma folha, equilibrado nas mãos pequeninas, seguro pelos dedos magros, doirado, com figuras geométricas de madeira preta, e olhava-me, à espera. Depois, girava, a saia de popelina a roçar-lhe os joelhos, os olhos a brilharem, e dizia, contente: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O doutor esquece-se sempre… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, a minha cozinheira gorda, de quem nunca esquecerei os olhos vivos, acusava-me. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O doutor deixou-a sozinha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabada a missão, fui-me embora. Às vezes, lembro-me de Ednilza, no meio das árvores, a dizer-me adeus. E , à noite, oiço os coqueiros, quando o vento sopra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel Poppe&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; "Um Inverno em Marraquexe"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcSfOIvi8I/AAAAAAAAAXo/PHKrfhio2cE/s1600-h/Ac%C3%A1cia+Vermelha+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208151821657279426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcSfOIvi8I/AAAAAAAAAXo/PHKrfhio2cE/s400/Ac%C3%A1cia+Vermelha+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5330042159630488857?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5330042159630488857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5330042159630488857' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5330042159630488857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5330042159630488857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/conhecer-manuel-poppe.html' title='Conhecer MANUEL POPPE 1'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SEcWhgXLnrI/AAAAAAAAAXw/gN5-MIPIb5Y/s72-c/Manuel+Poppe+7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-3328233897768875166</id><published>2008-05-06T16:53:00.004+01:00</published><updated>2008-05-06T17:06:06.122+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Joshua Bell'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stradivarius de 1713'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Symphony Hall de Boston'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música clássica'/><title type='text'>O enquadramento necessário</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Valor, contexto e arte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camisa e boné, encosta-se perto da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal. Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos que passavam.Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Conclusão&lt;/strong&gt;: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de marca.O vídeo da experiência:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hnOPu0_YWhw&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hnOPu0_YWhw&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-3328233897768875166?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/3328233897768875166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=3328233897768875166' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/3328233897768875166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/3328233897768875166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/o-enquadramento.html' title='O enquadramento necessário'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5416588685231515297</id><published>2008-05-06T00:07:00.007+01:00</published><updated>2008-05-06T00:39:43.149+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fernanda Botelho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festa em Casa de Flores'/><title type='text'>Conhecer FERNANDA BOTELHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SB-ThFxYKZI/AAAAAAAAAKU/UGEqtb8xZC0/s1600-h/Fernanda+Botelho+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197034691703089554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SB-ThFxYKZI/AAAAAAAAAKU/UGEqtb8xZC0/s400/Fernanda+Botelho+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;FESTA EM CASA DE FLORES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:130%;"&gt;*******************************&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O convite para um jantar em casa de Flores e as misteriosas cartas anónimas em papel verde pálido, escritas em verde escuro, são o ponto de partida que Fernanda Botelho utiliza para nos contar a história da família de Pedro Pedralvas, o &lt;em&gt;Mamute Nosso Coevo&lt;/em&gt;, embaixador e escritor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do seu primeiro casamento com Salomé, tem uma filha, Rita, a quem o marido chama &lt;em&gt;favinho de mel&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;a pérola da minha mulher&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Rita é uma esposa permissiva, doce, frágil, angélica. No entanto, sabe o que quer e como consegui-lo, isto é, sabe “preparar o terreno”, conduzir as coisas, de modo a obter o que deseja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O seu marido, Carlos Romeira, o &lt;em&gt;Carloto&lt;/em&gt;, a quem o casamento resolveu o problema de carências financeiras, trabalho na empresa da família e é artista nas horas vagas. Crê-se, potencialmente, reservado a altos voos: &lt;em&gt;um Manet dominical, acarinhado e subservido pelos deuses do materialismo e do capitalismo, embora, em contrapartida, como represália, por vezes, o rejeitassem as musas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Carlota, a &lt;em&gt;Lota&lt;/em&gt;, é filha do segundo casamento do Mamute com Maria das Dores. Moderna, apressada e desinibida é a “menina querida” do pai.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há ainda a governanta francesa, Monique, uma espécie de deusa tutelar da casa e da família.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Importante, também, o papel da amiga Rosa Couto e os seus “desconchavos”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma escrita rica, inteligente, divertida, posta ao serviço da crítica social e da caracterização psicológica das personagens, com as suas limitações, dúvidas, incertezas, afectos ou a falta deles.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fernanda Botelho, o narrador todo-poderoso que afirma:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[…] &lt;em&gt;Porque eu, narrador, personagem, personagem privilegiado, demiurgo, estou aqui, estou lá, estou em todo o lado, ubíquo, universal, não há fronteiras que me bloqueiem as bravatas nem tempo que me desvaneça registos de memória. Sou infinito e eterno. Esvoaço. Esvoaço no conspícuo enredado de cada pessoa em si e das pessoas entre si, insinuo-me nas almas, na profundidade das alcovas, no calor das cozinhas, no silêncio dos gabinetes, para lá das paredes e aquém dos muros, na obscuridade dos salões fechados e nas ruas iluminadas pelo sol vesperal, no dia radioso e na noite sinistra, &lt;strong&gt;prosseguindo e perseguindo os meus encantadores bonecos nesta aventura vulgar, que é a de vivermos lado a lado, sem afinal nos conhecermos de uma forma razoável e resolúvel.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; […] (1)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;___________________________&lt;br /&gt;(1) O destaque é meu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5416588685231515297?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5416588685231515297/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5416588685231515297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5416588685231515297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5416588685231515297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/conhecer-fernanda-botelho.html' title='Conhecer FERNANDA BOTELHO'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SB-ThFxYKZI/AAAAAAAAAKU/UGEqtb8xZC0/s72-c/Fernanda+Botelho+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-5725152331548694419</id><published>2008-05-02T00:39:00.001+01:00</published><updated>2008-05-02T00:39:28.299+01:00</updated><title type='text'>1º de Maio</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;PÃO, TRABALHO, EDUCAÇÃO&lt;br /&gt;aqui:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://luardejaneiro.blogs.sapo.pt/47037.html"&gt;http://luardejaneiro.blogs.sapo.pt/47037.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-5725152331548694419?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/5725152331548694419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=5725152331548694419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5725152331548694419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/5725152331548694419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/05/1-de-maio.html' title='1º de Maio'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-8595727644176640458</id><published>2008-04-27T15:06:00.000+01:00</published><updated>2008-04-27T15:58:23.033+01:00</updated><title type='text'>Conhecer MANUEL DA FONSECA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBSL8Uw0D9I/AAAAAAAAAHM/5aliPWNbPTo/s1600-h/Manuel+da+Fonseca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193930138746884050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBSL8Uw0D9I/AAAAAAAAAHM/5aliPWNbPTo/s400/Manuel+da+Fonseca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As pessoas de quem escrevo são as que houve na minha vida. Gente de família ou conhecida. Nelas me fui descobrindo e sendo eu próprio as vidas que contei. É isso, eu. Até quando escutava a vida de algum desconhecido, logo descobria que esse desconhecido era dois ou três indivíduos que eu já conhecia um dos quais, com o tempo, começava a ser eu. Contar a vida dos outros é interrogar a nossa própria vida. Só o tempo depura. Ficção constrói-se com o que fica do passado. Revive-o.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Manuel da Fonseca&lt;/strong&gt;, no Prefácio de &lt;em&gt;O Fogo e as Cinzas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p align="center"&gt;**************************************************************&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Manuel&lt;/strong&gt; Lopes &lt;strong&gt;da Fonseca&lt;/strong&gt; nasceu no dia 15 de Outubro de 1911, em Santiago do Cacém, e faleceu no dia 11 de Março de 1993. Fez os estudos secundários em Lisboa, depois dos quais frequentou, por algum tempo, a Escola de Belas-Artes. Dedicou-se desde cedo ao jornalismo, tendo colaborado em várias publicações, de que se destacam as revistas &lt;em&gt;Afinidades&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Altitude&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Árvore&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Vértice&lt;/em&gt; e os jornais &lt;em&gt;O Diabo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Diário&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Juntou-se ao grupo de escritores neo-realistas e destacou-se como poeta, contista e romancista.&lt;br /&gt;Estreou-se em livro com a colectânea poética &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rosa dos Ventos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1940). Publicou ainda, em poesia, as seguintes obras: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Planície&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1941), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Poemas Completos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1958) e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Poemas Dispersos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1958).&lt;br /&gt;Em ficção, publicou: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Aldeia Nova&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (contos, 1942), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cerromaior&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (romance, 1943), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Fogo e as Cinzas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (contos, 1951), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Seara de Vento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (romance, 1958), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Um Anjo no Trapézio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (novela e contos, 1968), &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tempo de Solidão&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (contos, 1973), além de um volume de crónicas (&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crónicas Algarvias&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 1986) e de uma &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Antologia de Fialho de Almeida&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (1984).&lt;br /&gt;A obra de Manuel da Fonseca é profundamente marcada pelo espaço físico e humano do Alentejo.&lt;br /&gt;Em íntima relação com a sua produção literária, desenvolveu uma intensa militância social, política e cultural, tendo chegado a ser preso em 1965, por ter integrado o júri que premiou Luuanda, de José Luandino Vieira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-8595727644176640458?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/8595727644176640458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=8595727644176640458' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/8595727644176640458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/8595727644176640458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/04/conhecer-manuel-da-fonseca.html' title='Conhecer MANUEL DA FONSECA'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBSL8Uw0D9I/AAAAAAAAAHM/5aliPWNbPTo/s72-c/Manuel+da+Fonseca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-7392343019975547527</id><published>2008-04-27T00:38:00.000+01:00</published><updated>2008-04-27T00:40:40.497+01:00</updated><title type='text'>Porque hoje é domingo...</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Domingo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando chega domingo,&lt;br /&gt;Faço tenção de todas as coisas mais belas&lt;br /&gt;Que um homem pode fazer na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem vá para ao pé das águas&lt;br /&gt;Deitar-se na areia e não pensar…&lt;br /&gt;E há os que vão para o campo&lt;br /&gt;Cheios de grandes sentimentos bucólicos&lt;br /&gt;Porque leram, de véspera, no boletim do jornal:&lt;br /&gt;“Bom tempo para amanhã”…&lt;br /&gt;Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,&lt;br /&gt;Pois nesse dia&lt;br /&gt;Aqueles que passeiam com a mulher e os filhos&lt;br /&gt;São mais generosos.&lt;br /&gt;Um rapaz que era pintor&lt;br /&gt;Não disse nada a ninguém&lt;br /&gt;E escolheu o domingo para se matar.&lt;br /&gt;Ainda hoje a família e os amigos&lt;br /&gt;Andam pensando por que seria.&lt;br /&gt;Só não relacionam que se matou num domingo!...&lt;br /&gt;Mariazinha Santos&lt;br /&gt;(aquela que um dia se quis entregar,&lt;br /&gt;Que era o que a família desejava,&lt;br /&gt;Para que o seu futuro ficasse resolvido),&lt;br /&gt;Mariazinha Santos&lt;br /&gt;Quando chega domingo,&lt;br /&gt;Vai com uma amiga para o cinema.&lt;br /&gt;Deixa que lhe apalpem as coxas&lt;br /&gt;E abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe bordou.&lt;br /&gt;Quando ela era ainda muito menina…&lt;br /&gt;Para eu contar isto&lt;br /&gt;É que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!&lt;br /&gt;À hora negra das noites frias e longas&lt;br /&gt;Sei duma hora numa escada&lt;br /&gt;Onde uma velha põe sua neta&lt;br /&gt;E vem sorrir aos homens que passam!&lt;br /&gt;E a costureirinha mais honesta que eu namorei&lt;br /&gt;Vendeu a virgindade num domingo&lt;br /&gt;- porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!&lt;br /&gt;Há mais amargura nisto&lt;br /&gt;Que em toda a História das Guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo deste princípio,&lt;br /&gt;Que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,&lt;br /&gt;Eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta era uma das coisas mais belas&lt;br /&gt;Que um homem podia fazer na vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então,&lt;br /&gt;Todas as raparigas amariam no tempo próprio&lt;br /&gt;E tudo seria natural&lt;br /&gt;Sem mendigos nas ruas nem casas de penhores…&lt;br /&gt;Penso isto, e vou a grandes passadas…&lt;br /&gt;E um domingo parei numa praça&lt;br /&gt;E pus-me a gritar o que sentia,&lt;br /&gt;Mas todos acharam estranhos os meus modos&lt;br /&gt;E estranha a minha voz…&lt;br /&gt;Mariazinha Santos foi para o cinema&lt;br /&gt;E outras menearam as ancas&lt;br /&gt;- ao sol&lt;br /&gt;Como num ritual consagrado a um deus! –&lt;br /&gt;Até chegar ao homem bem-amado entre todos&lt;br /&gt;Com uma nota de cem na mão estendida…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha a miséria maior que todas&lt;br /&gt;Secar o último restolho de moral que em mim resta;&lt;br /&gt;E eu fique rude como o deserto&lt;br /&gt;E agreste como o recorte das altas serras:&lt;br /&gt;Venha a ânsia do peito para os braços!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vou a grandes passadas&lt;br /&gt;Como um louco maior que a sua loucura…&lt;br /&gt;O rapaz que era pintora&lt;br /&gt;Aconchegou-se sobre a linha férrea&lt;br /&gt;Para que a morte o desfigurasse&lt;br /&gt;E o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica&lt;br /&gt;De revolta contra o mundo.&lt;br /&gt;Mas como o rosto lhe estava intacto&lt;br /&gt;Vai a família ao necrotério e ficou aterrada!&lt;br /&gt;Conheci-o numa noite de bebedeira&lt;br /&gt;E acho tudo aquilo natural.&lt;br /&gt;A costureirinha que eu namorei&lt;br /&gt;Deixava-se ir para as ruas escuras&lt;br /&gt;Sem nenhum receio.&lt;br /&gt;Uma vez que chovia&lt;br /&gt;Até entrámos numa escada.&lt;br /&gt;Somente sequer um beijo trocámos…&lt;br /&gt;E isto porque no momento próprio&lt;br /&gt;Olhava para mim com um propósito tão sereno&lt;br /&gt;Que eu, que dela só desejava o corpo bem feito,&lt;br /&gt;Me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,&lt;br /&gt;Que era aquela serenidade&lt;br /&gt;De pessoa que tem a vida cheia e inteira.&lt;br /&gt;No entanto, ela nunca me pôs obstáculo&lt;br /&gt;Que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.&lt;br /&gt;Hoje encontrámo-nos aí pelos cafés…&lt;br /&gt;(ela está sempre com sujeitos decentes)&lt;br /&gt;E quando nos fitamos nos olhos,&lt;br /&gt;Bem lá no fundo dos olhos,&lt;br /&gt;Eu que sou homem nascido&lt;br /&gt;Para fazer as coisas mais heróicas da vida&lt;br /&gt;Viro a cabeça para o lado e digo:&lt;br /&gt;- Rapaz, traz-me um café…&lt;br /&gt;O meu amigo, que era pintor,&lt;br /&gt;Contou-me numa noite de bebedeira:&lt;br /&gt;- Olha,&lt;br /&gt;Quando chega domingo,&lt;br /&gt;Não há nada melhor que ir para o futebol…&lt;br /&gt;E como os olhos se me enevoassem de água,&lt;br /&gt;Continuou com uma voz&lt;br /&gt;Que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:&lt;br /&gt;- … no entanto, conheço um homem&lt;br /&gt;Que ia para a beira do rio&lt;br /&gt;E passava um dia inteirinho de domingo,&lt;br /&gt;Segurando uma cana donde caía um fio para a água…&lt;br /&gt;… um dia pescou um peixe,&lt;br /&gt;E nunca mais lá voltou…&lt;br /&gt;… O pior é pensar:&lt;br /&gt;Que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre&lt;br /&gt;Como se fosse uma festa?... –&lt;br /&gt;O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,&lt;br /&gt;Tão rara e certa e maravilhosa&lt;br /&gt;Que deslumbrado se matou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pago o café e saio a grandes passadas.&lt;br /&gt;Hoje e depois e todos os dias que vierem,&lt;br /&gt;Amo a vida mais e mais&lt;br /&gt;Que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariazinha Santos&lt;br /&gt;Que vá para o cinema morder o lencinho que sua mão lhe bordou…&lt;br /&gt;E os senhores serenos, acompanhados das mulheres e dos filhos,&lt;br /&gt;Que parem ao sol&lt;br /&gt;E joguem um tostão nas mãos dos pedintes…&lt;br /&gt;E a menina das horas longas e frias&lt;br /&gt;Continue pela mão de sua avó…&lt;br /&gt;E tu, que só andas com cavalheiros decentes,&lt;br /&gt;Ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,&lt;br /&gt;Fita-me bem no fundo dos olhos,&lt;br /&gt;Fita-me bem no fundo dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então,&lt;br /&gt;Virá a miséria maior que todas&lt;br /&gt;Secar o último restolho de moral que em mim resta;&lt;br /&gt;E eu ficarei rude como o deserto&lt;br /&gt;E agreste como o recorte das altas serras:&lt;br /&gt;E virá a ânsia do peito para os braços!...&lt;br /&gt;____________________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Domingo que vem,&lt;br /&gt;Eu vou fazer as coisas mais belas&lt;br /&gt;Que um homem pode fazer na vida!&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Manuel da Fonseca&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-7392343019975547527?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/7392343019975547527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=7392343019975547527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7392343019975547527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7392343019975547527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/04/porque-hoje-domingo.html' title='Porque hoje é domingo...'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-2350471742936388587</id><published>2008-04-24T17:27:00.001+01:00</published><updated>2008-04-24T17:54:04.423+01:00</updated><title type='text'>Abril na Arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC2Y0w0DuI/AAAAAAAAAFc/JgADZ97Fj6c/s1600-h/Cravo+vampiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192850907954679522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC2Y0w0DuI/AAAAAAAAAFc/JgADZ97Fj6c/s400/Cravo+vampiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC2B0w0DtI/AAAAAAAAAFU/uFzr1ymnEUA/s1600-h/Vieira+da+Silva+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192850512817688274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC2B0w0DtI/AAAAAAAAAFU/uFzr1ymnEUA/s400/Vieira+da+Silva+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Vieira da Silva&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC1vEw0DsI/AAAAAAAAAFM/IlfqtKpM2RU/s1600-h/Jo%C3%A3o+Abel+Manta+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192850190695141058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC1vEw0DsI/AAAAAAAAAFM/IlfqtKpM2RU/s400/Jo%C3%A3o+Abel+Manta+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; João Abel Manta&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC1YUw0DrI/AAAAAAAAAFE/ff-neZJm3T4/s1600-h/Vieira+da+Silva+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192849799853117106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC1YUw0DrI/AAAAAAAAAFE/ff-neZJm3T4/s400/Vieira+da+Silva+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Vieira da Silva&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-2350471742936388587?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/2350471742936388587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=2350471742936388587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2350471742936388587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/2350471742936388587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/04/abril-na-arte.html' title='Abril na Arte'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SBC2Y0w0DuI/AAAAAAAAAFc/JgADZ97Fj6c/s72-c/Cravo+vampiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366779714989158360.post-7909126979872601442</id><published>2008-04-23T23:31:00.000+01:00</published><updated>2008-04-24T00:16:30.792+01:00</updated><title type='text'>OS LIVROS</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SA_C4kw0DnI/AAAAAAAAAEU/upKodlpRZqA/s1600-h/colagem3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192583172578348658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SA_C4kw0DnI/AAAAAAAAAEU/upKodlpRZqA/s400/colagem3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Crio hoje, &lt;strong&gt;Dia do Livro e do Direito de Autor&lt;/strong&gt;, este blogue. Porque os livros nos conduzem por caminhos inesperados, que nos transformam, e fazem da nossa vida um somatório de aventuras maravilhosas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366779714989158360-7909126979872601442?l=elisabetepinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/feeds/7909126979872601442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366779714989158360&amp;postID=7909126979872601442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7909126979872601442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366779714989158360/posts/default/7909126979872601442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elisabetepinho.blogspot.com/2008/04/os-livros.html' title='OS LIVROS'/><author><name>Elisabete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10810740813689749591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://1.bp.blogspot.com/__2nXUPIZ9nY/SJ10SglPWzI/AAAAAAAAAgo/72mHLLlreOA/s1600-R/Olho%2Bmeu%2B2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/__2nXUPIZ9nY/SA_C4kw0DnI/AAAAAAAAAEU/upKodlpRZqA/s72-c/colagem3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
